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Donaldson Gomes
Publicado em 15 de fevereiro de 2026 às 11:00
Papo sério aqui. Até a madrugada da próxima quarta-feira (dia 18), o Brasil segue em ritmo de festa, e se você, caro leitor, quiser se manter neste clima, tudo bem deixar este texto para depois. Neste espaço, aproveitamos a máxima de que o ano só começa depois do carnaval, mas vamos adiantar o que vai tomar conta da agenda política e econômica assim que o último bloco deixar a avenida. >
Começamos pela política e não precisa ser nenhum gênio para saber que tudo vai girar em torno do processo eleitoral, quando cerca de 160 milhões de brasileiros devem ir às urnas para escolherem o próximo presidente da República, além de 27 governadores, 54 novos senadores, 513 deputados federais e algumas centenas de deputados estaduais. >
Quando o assunto é economia, a pauta é mais diversa e vai desde a definição da taxa básica de juros à escala 6 por 1, assunto que tem um pé na política. >
E para não dizer que não falamos de flores, 2026 é ano de Copa do Mundo. Será que desta vez o hexa vem?>
Famosos no primeiro dia do Carnaval de Salvador
Para desespero dos representantes do setor produtivo e a alegria de quem é assalariado, o ano que se inicia de fato na próxima quarta será pródigo em feriadões. E haja grana, ou limite no cartão, para bancar esta festa.>
Ainda em março, antes do feriadão da Semana Santa chegar, importantes definições devem acontecer. No cenário eleitoral, aqueles que almejam ocupar cargos eletivos devem colocar oficialmente seus nomes nas ruas como "pré-candidatos". Com o primeiro turno das eleições previsto para 4 de outubro, ocupantes de diversos cargos públicos precisam se desincompatibilizar pelo menos seis meses antes. Os servidores públicos em geral só precisam se afastar faltando três meses. >
Mas é na área econômica onde residem as maiores expectativas em relação ao próximo mês. Qual será a sinalização que o Comitê de Política Econômica do Banco Central (Copom) dará em relação à taxa básica de juros do país, a Selic, que atualmente está em 15%? O percentual atual faz a alegria de quem tem recursos para investir, mas é motivo de desespero para quem precisa de crédito. Entre representantes do setor produtivo, é consenso que a Selic no patamar atual inviabiliza uma série de investimentos. A conta é bem simples, se o investidor pode receber 15% colocando os seus recursos em títulos atrelados à taxa básica de juros, sem riscos, por que arriscar empreender? >
Já fazem alguns meses que o BC vem frustrando quem espera uma redução na taxa e agora, com a inflação caminhando para o centro da meta, crescem as expectativas pelo que vai acontecer na próxima reunião do Copom, marcada para os dias 17 e 18 de março. >
Outro compromisso para depois do carnaval é a declaração do imposto de renda. Embora o calendário oficial ainda não tenha sido liberado pela Receita Federal, se o ano passado for tomado como parâmetro, os contribuintes devem começar a acertar as contas com o leão a partir do mês que vêm. Ah, importante, como a isenção para quem ganha até R$ 5 mil começou a valer em 1º de janeiro de 2026, quem esteve nesta faixa de renda no ano passado precisa declarar este ano. >
Ainda na área econômica, um assunto que deverá tomar conta do noticiário é a discussão sobre jornada de trabalho no país. Embora o fim da escala 6x1 já esteja em discussão nos corredores de Brasília e entre o empresariado, o assunto ainda é desconhecido por boa parte da população brasileira. Uma pesquisa da Nexus - Pesquisa e Inteligência de Dados apontou que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6x1, desde que não haja redução de salário. Com a diminuição do salário, o total de pessoas favoráveis ao fim da escala cai para 28%, ou seja, a minoria. O mesmo levantamento indica que 35% do público nunca ouviu falar sobre o assunto. >
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, estima que a proposta de mudança pode ser analisada na Câmara no próximo mês de maio. Aí, o assunto ainda terá que ser levado ao Senado, antes de ser analisado pelo Poder Executivo, que já se manifestou favorável à mudança. >
Teoricamente, existem ainda outras definições na área econômica, principalmente aquelas relacionadas a grandes projetos de infraestrutura, mas a cautela recomenda baixas expectativas em relação a avanços efetivos para o decorrer deste ano. É aquela coisa, podem até aparecer grandes anúncios, mas obras mesmo, é difícil imaginar. Nesta lista, vale a pena incluir projetos ferroviários, como a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e rodoviários, como a nova concessão das BRs 324 e 116, cujo novo leilão tinha sido prometido para o final do ano passado.>
E para fechar 2026 com chave de ouro, ainda temos eleições gerais, com o primeiro turno em 4 de outubro e o segundo, dia 25 do mesmo mês. >
Mas talvez o melhor mesmo seja deixar para pensar em tudo isso depois do Carnaval. O momento agora é de viver essa fantasia, que muita gente gostaria que fosse eterna.>
Cinco temas essenciais >
1 - Taxa básica de juros >
Nos dias 17 e 18 de março, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para definir a nova taxa básica de juros do país, que está atualmente em 15% ao ano. Existe uma grande expectativa no mercado de uma queda de 0,5 pontos percentuais. >
2 - Calendário eleitoral >
Ainda em março, o calendário eleitoral deve ter uma importante definição, com a apresentação das principais pré-candidaturas às eleições de 4 outubro. Outras datas importantes são o prazo final para alterações no título de eleitor, em 6 de maio, e as convenções partidárias, entre 20 de julho e 5 de agosto. >
3 - Imposto de renda>
Embora o calendário oficial para a declaração do imposto de renda ainda não tenha sido divulgado, a expectativa é que em março os contribuintes já possam prestar contas ao leão. >
4 - Jornada 6x1>
A possível alteração na jornada básica de trabalho no país deve avançar este ano, com a expectativa de o assunto ser votado na Câmara ainda no primeiro semestre deste ano. >
5 - Infraestrutura>
Embora haja poucas expectativas de avanços efetivos neste ano, importantes projetos de infraestrutura para a Bahia, como a implantação da Fiol, a renovação da FCA e a nova concessão das BRs 324 e 116, devem entrar na pauta este ano.>
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