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Heider Sacramento
Publicado em 31 de janeiro de 2026 às 10:00
Às vésperas do Carnaval e com o verão no auge, uma música já conseguiu furar a bolha da aposta e se firmar como fenômeno popular. “Tapa Tapa”, parceria de Guga Meyra com o Parangolé, não apenas dominou playlists e redes sociais como virou trilha de academias, coreografias virais e ensaios lotados, confirmando o cantor baiano como um dos nomes mais atentos ao pulso da rua. >
O momento da virada ficou claro para Guga quando a resposta do público passou a vir em escala nacional e internacional. “Eu e Lincoln trabalhamos muito por essa música e acompanhamos diariamente os feedbacks da galera para entender qual seria a melhor estratégia para fazer a música chegar nas pessoas. A gente entende que o nosso papel é esse, fazer chegar, porque se as pessoas vão abraçar ou não, aí já é entregar nas mãos de Deus e aguardar”, contou, em entrevista exclusiva ao CORREIO.>
Segundo o artista, a adesão foi rápida e orgânica. “Foi tudo muito rápido, porque logo depois do lançamento pessoas do Brasil inteiro começaram a criar coreografias, e coreografias diferentes. Em pouco tempo, a música ganhou o carinho e a adesão da comunidade da dança, que a gente sabe que tem uma força enorme, principalmente no nosso país.” Parte desse alcance veio do diálogo direto com a cultura do corpo e do movimento. “A FitDance teve uma parcela gigantesca de responsabilidade nesse processo, porque a música entrou no canal deles e a gente percebeu como ela se espalhou pelas academias do Brasil e até fora do país”, destaca.>
O sinal definitivo de que “Tapa Tapa” tinha ultrapassado qualquer previsão veio com os vídeos enviados por fãs. “Quando a gente começou a receber vídeos de academias lotadas, com o pessoal dançando, vindos de várias cidades do Brasil e também da Argentina, do Chile e de Portugal, foi ali que a gente percebeu que a música estava tomando uma proporção muito maior do que a gente esperava.” A constatação veio acompanhada de surpresa e entrega. “Esse foi o momento em que a gente pensou ‘caramba, a música fugiu do nosso controle’. A partir dali, era entender que ela já estava nas mãos de Deus e seguir acompanhando esse movimento.”>
Esse sucesso dialoga diretamente com a identidade artística de Guga Meyra, construída a partir do pagodão, mas aberta a novas influências. “Eu costumo dizer que o pagodão realmente pulsa no meu sangue desde pequeno. Meus pais contam que eu abria o computador, colocava no YouTube e ficava ouvindo samba de roda. Então é muito natural que o meu som caminhe para essa vertente.” Ao mesmo tempo, a versatilidade aparece como escolha consciente. “Eu gosto muito de música, independente do gênero, então não vou limitar a criatividade. Se surge a ideia de colocar um funk dos anos 2000 dentro do pagodão, a gente faz, porque isso também reflete quem eu sou musicalmente.”>
Guga Meyra
No palco, especialmente no Carnaval de Salvador, essa mistura ganha ainda mais sentido. “A gente leva essa mistura para o show, e o Carnaval permite isso. Diferente de um show tradicional de uma hora, o trio elétrico fica cinco ou seis horas na rua, e o próprio público pede novidade o tempo todo.” Mesmo com blocos já consagrados no repertório, Guga entende a diversidade como regra da festa. “Mesmo tendo blocos já tradicionais no nosso show, como samba de roda, pagodão das antigas, pagodão naipe, paredão e pagofunk, no Carnaval de Salvador o público é muito diverso, com gente do mundo inteiro.”>
Essa leitura explica por que referências inesperadas entram no set. “Por que não misturar o funk carioca com o pagodão, trazer referências do Carnaval do Rio, ou até pegar bandas tradicionais do Nordeste, como o forró do Calcinha Preta, e colocar dentro do pagodão?” Para o cantor, a mistura também é afeto e reconhecimento. “Sempre tem gente de Sergipe, de Aracaju, nos nossos shows. Quando a gente faz esse tipo de homenagem, o público se sente em casa, se sente acolhido, e esse é o nosso maior intuito.”>
Guga Meyra e Lincoln Sena
Lançada em outubro, “Tapa Tapa” nasceu de um encontro criativo entre Guga Meyra e Lincoln Senna, do Parangolé, união que simboliza o diálogo entre gerações do pagode baiano. A faixa foi composta por Guga Meyra, Marlon Nunes, Rafa Chagas, Lucas Matos Moreira e Cassio Opeya, e carrega a identidade da Bahia misturada a elementos urbanos que conversam com o presente.>
Com histórico de composições gravadas por nomes como Léo Santana, Psirico, Gusttavo Lima, Ludmilla e Menos é Mais, Guga vive um momento de consolidação artística. Em pleno verão e com o Carnaval batendo à porta, ele transforma diversidade em linguagem, mistura em identidade e sucesso em troca afetiva. “As pessoas saem das suas cidades para vir ao Carnaval de Salvador, para o verão e, principalmente, para ver o meu show. Misturar estilos e referências é uma forma carinhosa de devolver esse amor e retribuir o carinho de quem acompanha o nosso trabalho.”>