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Trump dá o tom do Salão de Detroit e gasolina volta a brilhar nos Estados Unidos

Mostra já reflete apoio do presidente americano aos combustíveis fósseis

  • Foto do(a) author(a) Antônio Meira Jr.
  • Antônio Meira Jr.

Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 16:05

Baseada em Detroit, a Ford destacou SUVs e picapes a combustão com capacidade off-road no Auto Show
Baseada em Detroit, a Ford destacou SUVs e picapes a combustão com capacidade off-road no Auto Show Crédito: Divulgação

Até o ano passado, todo americano que quisesse comprar um veículo elétrico tinha um incentivo governamental à sua disposição. Cada modelo movido por bateria contava com um bônus federal de 7.500 dólares para opções zero-quilômetro e 4 mil dólares para usados - o equivalente a R$ 41,7 mil e R$ 22,3 mil, respectivamente. O benefício foi criado para incentivar a descarbonização, mas acabou sendo cancelado no fim do ano passado pelo atual presidente, Donald Trump.

O governo Trump não parou por aí. Além de cortar o bônus, anunciou um novo empecilho: ainda em 2026, será criado um imposto anual para proprietários de veículos elétricos e híbridos. A justificativa é compensar tributos não pagos por esses motoristas, já que não utilizam gasolina.

“Entre meus primeiros atos no cargo estava o de acabar com a guerra da esquerda radical contra o petróleo e o gás e interromper a cruzada para destruir a energia americana e, francamente, liberalizar os carros, para que você não precise ter um carro elétrico”, discursou Trump no Detroit Economic Club.

Um dos poucos conceitos expostos, o Elevated Velocity, da Cadillac. A empresa da GM vai estrear este ano no mercado brasileiro por Antônio Meira Jr.

Em um país onde a gasolina é acessível - por exemplo, na região metropolitana de Detroit, no estado de Michigan, o litro custa o equivalente a R$ 3,60 -, a nova política governamental passou a funcionar como um verdadeiro desincentivo aos carros elétricos.

O reflexo desse conjunto de medidas pode ser conferido até domingo no Detroit Auto Show, um dos salões de automóveis mais tradicionais do país, realizado desde 1907. Um dos exemplos está na prévia da Ford, fabricante que tem sua base global na região: nenhum elétrico ou híbrido novo foi apresentado. A empresa concentrou seus lançamentos em SUVs e picapes com tração 4x4.

Especialistas apontam essa tendência também no prêmio de Carro do Ano 2026 do mercado americano, divulgado durante o salão, vencido pelo Dodge Charger. A nova geração do esportivo, que estreou como um cupê elétrico em 2023, foi escolhida justamente por ter voltado a oferecer uma versão a gasolina na linha lançada no ano passado.

Na própria Stellantis, grupo que controla marcas como Dodge, Jeep e Fiat, a Ram anunciou no ano passado o retorno do motor V8 a gasolina em suas picapes - decisão tomada após pedidos dos clientes. A Ford também enfrenta desafios: a produção da F-150 Lightning, versão elétrica da picape mais vendida do país, foi reduzida devido à baixa demanda. A infraestrutura deficitária de recarga está entre os principais entraves, somando-se ao fim dos incentivos.

“Eu adoro carros elétricos. Acho que são ótimos. Gosto muito do Elon [Musk]. Acho que ele não ficou muito feliz com a minha política de liberalização do mercado, mas eu entendo. Venho dizendo isso há quatro anos. Eles queriam que todo mundo tivesse um carro elétrico em um período muito curto. Não havia como construir as estações de recarga”, justificou Trump durante sua visita a Detroit, cidade conhecida como Motor City.

Eu adoro carros elétricos. Acho que são ótimos. Gosto muito do Elon [Musk]. Acho que ele não ficou muito feliz com a minha política de liberalização do mercado, mas eu entendo. Venho dizendo isso há quatro anos. Eles queriam que todo mundo tivesse um carro elétrico em um período muito curto. Não havia como construir as estações de recarga

Donald Trump,

Presidente dos Estados Unidos

Além de a mostra americana simbolizar essa guinada, há uma expectativa global de desaceleração do segmento de veículos puramente a bateria. Até a China sinaliza essa mudança, com marcas lançando versões híbridas de modelos já conhecidos, tanto para o mercado interno quanto para exportação.

A Europa vive um movimento semelhante. A sueca Volvo, controlada pela chinesa Geely, adiou o fim da produção de veículos com motor a combustão, como o SUV XC90, devido à baixa adesão aos elétricos em alguns mercados. Já a Porsche, que produz todos os seus modelos no Velho Continente, revisa sua estratégia: após retirar versões a gasolina do Macan em diversos países, a marca considera um retorno.

Donald Trump discursou em um fórum econômico de Detroit
Donald Trump discursou em um fórum econômico de Detroit Crédito: Divulgação

REGIONALIZAÇÃO

Apesar do novo rumo, os fabricantes precisam se adaptar às diferentes legislações ao redor do mundo. No Brasil, por exemplo, as regras de emissões serão mais rígidas nos próximos anos. Esse é um dos motivos que levaram a Ford a confirmar a produção da Ranger com motorização flex na Argentina, voltada ao mercado brasileiro.

Em Detroit, no mesmo dia em que Donald Trump visitou uma fábrica da empresa na região metropolitana da cidade e foi informado de que 80% dos veículos vendidos pela marca nos EUA são produzidos localmente, Martin Galdeano, presidente da Ford para a América do Sul, reforçou o lançamento de uma versão híbrida plug-in da picape. Um detalhe importante: a tecnologia bicombustível está sendo desenvolvida pela engenharia baseada em Camaçari.

O JORNALISTA VIAJOU A CONVITE DA FORD