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Editorial
Publicado em 6 de março de 2026 às 05:00
Após mais um ano de “agora vai”, o Brasil encerrou 2025 com o menor Produto Interno Bruto (PIB) dos últimos cinco anos. Desde 2021, sob os efeitos da pandemia de covid, os brasileiros não viam a sua economia registrar um desempenho pífio, como este “pibinho” de 2,3%, alcançado no ano passado. Mas, pior que conviver com o resultado ruim no ano que passou, é saber que as previsões para 2026 são de um desempenho ainda pior. >
O Boletim Focus, do Banco Central, com as expectativas do mercado financeiro, estima que o último ano de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve seguir a mesma toada dos demais períodos em que ele esteve no poder: o PIB deve crescer 1,82% – o que não deveria mais nem ser chamado de “pibinho”. “Pibizinho”, talvez. E, a bem da verdade, o resultado de 2025 não foi menor por conta do agronegócio, que cresceu impressionantes 11,7% no ano, com recordes em diversas culturas, como o milho e a soja, tão importantes para a Bahia.>
Após o boom em 2025, o agro deve voltar a crescer, mas numa intensidade menor, como projeta a Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Deve-se frisar que o desempenho do setor se dá muito mais por conta do trabalho dos produtores, que por parcos incentivos da administração pública. O campo se expande no Brasil, apesar do governo, que sempre olhou com ressalvas para quem faz acontecer. >
Na indústria, a expansão do PIB foi de 1,4%, levando-se em conta todas as atividades. Mas na transformação, a queda foi de 0,2%. Este foi o quinto desempenho negativo num intervalo de sete anos, alerta a Confederação Nacional da Indústria (CNI). “Se nada for feito, deve perder mais espaço na economia em 2026”, alerta a entidade.>
Após a divulgação do PIB de 2025, integrantes da equipe econômica, como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foram rápidos em culpar a elevada Selic, a taxa básica de juros do país. Mas talvez falte a eles uma reflexão sobre o motivo do Brasil cobrar juros tão elevados há tanto tempo. Os títulos do país precisam oferecer rentabilidade elevada para financiar uma máquina pública que gasta muito e mal.>
Se o governo Lula cortasse despesas com o mesmo empenho que cria impostos, taxas e contribuições, talvez o Banco Central já tivesse mais tranquilidade para cortar significativamente os juros básicos.>
Por enquanto, a única taxa que Lula consegue reduzir é a de investimentos, que fechou 2025 em 16,8% do PIB, aquém dos 20% verificados entre 2010 e 2013, e do necessário para sustentar taxas de crescimento mais elevadas na economia brasileira, como frisa a CNI.>
Antes que alguém culpe a guerra no Oriente Médio pelas expectativas ruins, deve-se lembrar que o Boletim Focus mais recente ainda não leva em conta o conflito no Irã. Quando isto acontecer, é possível que o repique inflacionário esperado com a escassez de petróleo no mercado internacional reduza ainda mais o que já é pouco.>
Se quiser deixar de “alçar voos de galinha” na economia, o país precisa trilhar caminhos diferentes. Lula popularizou a promessa de um “espetáculo do crescimento”, mas não foi capaz de fazer acontecer. E já passou da hora de alguém fazer isso. >