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Matheus Marques
Publicado em 17 de fevereiro de 2026 às 06:28
A sucessão no Banco Central ganhou nomes definitivos nesta semana. O ministro Fernando Haddad indicou ao presidente Lula o acadêmico Tiago Cavalcanti e o atual secretário da Fazenda, Guilherme Mello, para diretorias específicas, cujas áreas serão definidas no ato formal de nomeação. A escolha de Cavalcanti é lida por Haddad, como um aceno ao equilíbrio por parte do Chefe de Estado: um nome com trânsito nas melhores universidades do mundo, mas que já orbitou o debate político brasileiro. >
Os dois nomes agora esperam a oficialização do presidente Lula, que segundo a Lei Complementar nº 179/2021, é o único com poder de definir os nomes do presidente e dos diretores do Banco Central do Brasil (BC). Após a indicação, os escolhidos precisam ser aprovados pelo Senado Federal antes da nomeação final. >
Tiago Cavalcanti não é um estranho à política econômica nacional. Em 2014, ele integrou os grupos de discussão das campanhas de Eduardo Campos e Marina Silva. No entanto, foi no exterior que ele cravou seu nome na elite da economia, tornando-se professor em Cambridge e premiado pesquisador em Illinois. Sua especialidade, a macroeconomia voltada para bancos, é exatamente o que o governo busca para oxigenar as discussões sobre o custo do crédito no país. >
Uma vez empossado como diretor, Cavalcanti passará a integrar o Copom, órgão responsável por definir a Selic. Ao lado dos demais diretores, ele participará das decisões periódicas de atualização da taxa, durante o mandato previsto na Lei de Autonomia do Banco Central. Para quem acompanha suas publicações, a expectativa é de uma gestão técnica e voltada para a modernização do sistema financeiro, unindo sua experiência como colunista especializado e editor de periódicos científicos ao rigor exigido pelo cargo. >
Embora o currículo de Cavalcanti seja incontestável, sua indicação passará pelo crivo político do Senado, no qual deverá ser questionado sobre como sua visão acadêmica se traduzirá em medidas que possam contribuir, de forma indireta, para reduzir o custo do crédito ao consumidor. A aposta de Haddad é que o perfil moderado do professor, que já transitou por diferentes matizes políticas em campanhas passadas, facilite sua aprovação, o que permitiria apresentá-lo como um técnico capaz de dialogar com o sistema financeiro sem perder de vista as metas sociais do governo. >