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Agência Correio
Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 08:00
Você já notou como as pessoas criadas entre as décadas de 1960 e 1970 resolvem problemas com facilidade? Pesquisadores analisaram esse grupo e identificaram que a autonomia precoce foi fundamental para moldar essa personalidade resiliente. >
A criação daquela época produziu características que hoje são consideradas raras no mercado de trabalho e na vida. O ambiente de liberdade forjou personalidades que não dependem de validação externa para tomar decisões importantes.>
As tardes de antigamente pareciam infinitas e não existiam telas para ocupar cada segundo vago dos jovens. Sem uma agenda cheia de compromissos, as crianças precisavam inventar seus próprios mundos para fugir do tédio.>
O que diz a psicologia?
Estudos do Child Mind Institute indicam que o tédio favorece o planejamento e a resolução de problemas complexos. Portanto, o silêncio e a falta de recursos eram os melhores estímulos para o desenvolvimento intelectual infantil.>
Falhar em um teste ou ser excluído de um grupo não recebia uma atenção exagerada dos pais. A frustração era um sentimento comum e aceito como parte integrante do crescimento natural de qualquer adolescente.>
Enfrentar desafios reais sem o excesso de proteção atual ajuda a desenvolver estratégias de enfrentamento eficazes. Por isso, esses adultos de hoje encaram as dificuldades sem o medo paralisante de cometer algum erro.>
Conseguir algo novo exigia esforço, tempo e, principalmente, muita paciência por parte dos pequenos de antigamente. As informações não estavam a um clique de distância e era necessário buscar o conhecimento pessoalmente em livros.>
Experimentos de Walter Mischel mostraram que adiar recompensas está associado a melhores resultados de bem-estar. Esse treino involuntário de paciência gerou adultos muito mais focados em objetivos que demandam longo prazo para acontecer.>
Brincar sem a vigilância constante dos adultos era a regra absoluta na maioria dos bairros residenciais. As próprias crianças decidiam como o jogo funcionaria e como punir quem desrespeitasse as normas sociais combinadas.>
Pesquisas indicam que brincadeiras sem supervisão constante fortalecem as habilidades sociais e a inteligência emocional. Além disso, essa liberdade ensinava a negociar e a resolver conflitos de forma madura e muito rápida.>
Os adultos amavam seus filhos, mas não orbitavam ao redor de cada pequena necessidade da criança diariamente. Isso obrigava os jovens a aprenderem tarefas básicas, como cuidar da própria higiene e preparar refeições simples.>
Psicólogos reconhecem que essa independência favorece a autoconfiança e fortalece os recursos internos de cada um. Assim, a criança desenvolvia uma base sólida que impedia a formação de dependências emocionais prejudiciais no futuro.>
A falta de acesso fácil a bens de consumo estimulava o uso da mente para suprir necessidades materiais. Materiais simples e descartáveis tornavam-se brinquedos complexos através da imaginação e do trabalho manual dedicado dos pequenos.>
Pesquisas confirmam que limitações estimulam a criatividade, ao contrário da disponibilidade constante de novos produtos. Portanto, ter menos recursos materiais resultava em uma riqueza mental muito maior para enfrentar a vida adulta.>
Os valores familiares não eram explicados em longas palestras, mas demonstrados nas ações cotidianas dos pais. A observação do esforço alheio servia como a principal escola de ética e comportamento social para as crianças.>
Esse processo de modelagem continua sendo uma das formas mais eficazes de aprendizado comportamental em humanos. Por esse motivo, o exemplo prático marcava muito mais do que qualquer conversa teórica sobre bons costumes.>
Havia um entendimento de que a vizinhança cuidava da segurança e da educação de todos os jovens. Qualquer adulto tinha autoridade para mediar brigas ou chamar a atenção de quem estivesse agindo de forma errada.>
Especialistas afirmam que redes comunitárias fortalecem o senso de pertencimento e a responsabilidade coletiva dos cidadãos. Essa estrutura criava um ambiente seguro onde todos se sentiam parte de algo maior que a família.>