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Austrália faz extermínio de burros e descobre depois que eles poderiam salvar o deserto e proteger fazendas

Estudos em áreas áridas indicam que a gestão da fauna pode influenciar a disponibilidade de água em períodos de estiagem prolongada

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Foto do(a) author(a) Vitoria Estrela
  • Agência Correio

  • Vitoria Estrela

Publicado em 4 de março de 2026 às 17:00

O debate sobre espécies introduzidas ganha novos contornos diante das mudanças climáticas e da pressão sobre o campo
O debate sobre espécies introduzidas ganha novos contornos diante das mudanças climáticas e da pressão sobre o campo Crédito: Ericj/Wikimedia Commons

A relação da Austrália com os burros selvagens sempre foi marcada por tensão. Considerados nocivos ao ambiente, milhares foram abatidos ao longo das últimas décadas.

Agora, estudos recentes e observações em campo sugerem que a história pode ser menos simples do que parecia.

Em áreas dominadas pela aridez, onde a água é um recurso raro, pesquisadores começaram a registrar efeitos inesperados associados à presença desses animais.

Burros selvagens por Shutterstock

‘Praga do campo’

Por anos, órgãos públicos trataram os burros como invasores em zonas áridas. Produtores rurais relatavam danos estruturais, disputa por bebedouros e pressão sobre áreas frágeis.

Quando chovia com menos frequência, campanhas de abate ganharam respaldo. Com poucas fontes de água disponíveis, os animais se concentravam nos mesmos pontos, intensificando a compactação do solo e favorecendo processos erosivos.

A expectativa era diminuir a pressão sobre o ambiente, mas os conflitos continuavam aparecendo sempre que as condições extremas voltavam.

Mudança de olhar

À medida que os períodos secos se tornaram mais frequentes, gestores ambientais passaram a rever essas estratégias. Em vez de priorizar apenas a retirada dos burros, decidiram examinar como o ecossistema reage à sua presença.

Foi nesse movimento que surgiram análises mais detalhadas sobre o comportamento da espécie e o questionamento se parte das ações desses animais poderia trazer algum efeito útil.

Isso não elimina os riscos já conhecidos. Porém, amplia a discussão sobre alternativas de gestão capazes de equilibrar conservação ambiental e atividade rural.

Como os burros selvagens são vistos agora

Um dos pontos observados envolve a habilidade dos burros de cavar leitos secos até encontrar umidade subterrânea. As cavidades abertas acabam formando pequenos pontos de acesso à água.

Em cenários de escassez prolongada, esses locais podem beneficiar outras espécies que não conseguem atingir camadas mais profundas do solo.

O impacto, entretanto, varia conforme densidade populacional e contexto ambiental. Em número elevado, a mesma escavação pode intensificar danos.

Solo, chuva e limites

O deslocamento constante dos animais também rompe a crosta rígida típica de solos muito secos. Essa quebra favorece a infiltração da água da chuva e pode estimular a germinação de plantas nativas.

Dependendo da intensidade, o efeito contribui para modificar a dinâmica superficial do terreno. Porém, a concentração excessiva amplia a erosão e compromete áreas sensíveis.

Como os burros selvagens são vistos agora

Por esses motivos, especialistas defendem manejo controlado em vez de eliminação em massa.

A estratégia prevê acompanhamento constante das áreas afetadas, definição de limites populacionais e remoção direcionada apenas onde houver maior fragilidade ambiental.

A discussão continua aberta na Austrália. O que se transformou foi a forma de encarar o tema. O burro já não é visto somente como risco, mas como parte de um debate mais amplo sobre como preservar ecossistemas.