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Carlinhos Brown e Felipe Poeta unem marabaixo e música eletrônica no single 'Boca Risonha'

Faixa chega às plataformas digitais nesta sexta (6) e mistura tradição afro-amazônica com produção contemporânea

  • Foto do(a) author(a) Heider Sacramento
  • Heider Sacramento

Publicado em 6 de março de 2026 às 07:00

Carlinhos Brown e Felipe Poeta misturam marabaixo e música eletrônica no single “Boca Risonha” Crédito: Divulgação

Entre tambores tradicionais e batidas eletrônicas, o cantor e compositor Carlinhos Brown se une ao produtor e DJ Felipe Poeta no single “Boca Risonha”, que chegou às plataformas digitais nesta sexta-feira (6). A faixa nasce de uma imersão musical no Norte do Brasil e propõe um encontro entre o marabaixo, ritmo tradicional do Amapá, e a produção eletrônica contemporânea.

A colaboração surgiu durante as gravações do documentário Amazônia Negra, dirigido por Marcel Lapa. Durante as viagens para Macapá e outras regiões do estado, Brown e Poeta passaram a discutir as conexões entre o marabaixo e ritmos populares brasileiros.

“A nossa conexão foi muito através da música”, afirma Poeta em entrevista exclusiva ao CORREIO. “Durante a viagem, o Brown fez muitas músicas ali mesmo. Eu pude ver o processo criativo dele totalmente orgânico, às vezes só com beatbox ou com percussões improvisadas”, relata.

A experiência de acompanhar o processo criativo do artista baiano impressionou o produtor. Segundo ele, Brown compõe de forma intuitiva, utilizando sons do ambiente e elementos inesperados como parte da percussão.

Amazônia Negra: Expedição Amapá por Divulgação/Veve Milk

“Às vezes não eram só tambores ou instrumentos reais, mas o som de uma folha caindo no chão. Foi incrível ver isso acontecendo ao vivo”, diz.

“Boca Risonha” nasce também de uma pesquisa musical sobre o marabaixo, tradição afro-amapaense ligada a celebrações religiosas e comunitárias. Poeta conta que recebeu de Brown uma verdadeira aula sobre a relação rítmica entre esse ritmo e outras vertentes da música brasileira.

“Ele me mandou um áudio de quase quatro minutos explicando onde as células rítmicas do marabaixo se encontram com a música brasileira moderna”, lembra. “Especialmente com coisas como o pagodão baiano e outros ritmos populares.”

Durante uma celebração de marabaixo no Amapá, o produtor relata ter se impressionado com a potência coletiva da música.“Era como ver uma escola de samba: dezenas de pessoas tocando ao mesmo tempo, perfeitamente sincronizadas, mesmo sem nunca terem tocado juntas antes”, conta entusiasmado.

Essa vivência influenciou diretamente a sonoridade da faixa, que incorpora gravações feitas durante a expedição.

Carlinhos Brown realiza tradicional padê antes do início do Arrastão por Marina Silva/CORREIO

Na produção, Poeta buscou unir a energia orgânica dos tambores com a estética da música eletrônica. Para ele, a riqueza rítmica brasileira oferece um terreno fértil para esse tipo de experimentação.

“O Brasil é muito rico musicalmente, principalmente em ritmo”, afirma. “A música eletrônica é baseada em groove e swing. Para um produtor brasileiro, é natural olhar para esses ritmos afro-diaspóricos e pensar que esse é o nosso verdadeiro molho.”

Carlinhos Brown e Felipe Poeta misturam marabaixo e música eletrônica no single “Boca Risonha” Crédito: Divulgação

A gravação inclui participações de artistas ligados à cultura amazônica, como a cantora Patrícia Bastos e o músico amapaense Jimmy Feixes, além do artista Neyman. Para Poeta, a presença desses nomes reforça o caráter coletivo do projeto.

“Cada um ajudou na escolha de palavras e referências culturais específicas da região”, explica. “A ideia era levantar a bandeira do Norte e mostrar a riqueza rítmica e cultural que muitas vezes é ignorada no restante do país.”

A faixa também dialoga com o discurso cultural apresentado no documentário Amazônia Negra, que investiga a presença da cultura afrodescendente na região amazônica.

Segundo Poeta, o objetivo é despertar curiosidade no público sobre o marabaixo e suas origens.“Eu espero que as pessoas tenham vontade de ir mais fundo e descobrir o que é o marabaixo”, diz. “Se a música causar aquela intriga de ‘o que foi isso que eu ouvi agora?’, já valeu. Quero que ela seja a faísca para essa pesquisa.”

Trabalhar com Brown também trouxe ao produtor uma reflexão sobre criatividade. Poeta conta que, no primeiro encontro, perguntou ao músico o que ele costumava ouvir como referência. A resposta virou uma espécie de mantra durante a produção.

“Eu parei de escutar os outros faz tempo. Eu só escuto a minha mente”, teria dito Brown. Para o produtor, a frase funcionou como um incentivo à originalidade. “Aquilo me tranquilizou muito. Me deu liberdade para não ficar preso a referências e tentar fazer algo realmente novo” , concluiu.

Tags:

Música Axé Carlinhos Brown