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Agência Correio
Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 18:00
Uma mandíbula de 2,6 milhões de anos encontrada na Etiópia está mudando o entendimento sobre a evolução humana. O fóssil pertence ao Paranthropus, um antigo parente do ser humano que viveu na África ao lado dos primeiros hominídeos. >
A espécie, antes vista como pouco flexível, agora surge como capaz de ocupar territórios diversos e enfrentar desafios ambientais complexos.>
O estudo, publicado na revista Nature em janeiro de 2026, sugere que a história da humanidade envolve mais caminhos possíveis do que se acreditava até agora.>
Ossos quebrados, fraturas e gesso
O Paranthropus foi um grupo de hominídeos que viveu no continente africano entre cerca de 2,7 milhões e 1 milhão de anos atrás. Ele não deu origem aos humanos modernos, mas compartilha um ancestral comum com o gênero Homo.>
Seu corpo chamava atenção principalmente pela estrutura do rosto e da mandíbula, adaptadas para uma mastigação poderosa. Essas características ajudaram a espécie a sobreviver em ambientes desafiadores.>
Por muito tempo, essa anatomia foi interpretada como sinal de limitação evolutiva. A nova evidência, porém, indica que essa leitura pode ter simplificado demais o papel do Paranthropus.>
A mandíbula foi localizada na região de Afar, no norte da Etiópia, a cerca de mil quilômetros de distância dos registros anteriores da espécie. Essa posição inesperada chamou a atenção dos pesquisadores.>
Até então, o Paranthropus era associado a áreas mais restritas do leste africano. O novo fóssil amplia essa visão e mostra que ele ocupou regiões muito mais amplas.>
As evidências apontam que a espécie conviveu com os primeiros humanos por longos períodos, dividindo paisagens e recursos em vez de ser rapidamente substituída.>
O apelido de hominídeo quebra-nozes surgiu por causa dos dentes grandes e do esmalte espesso do Paranthropus. Durante décadas, isso sustentou a ideia de uma dieta extremamente especializada.>
Essa interpretação levou muitos cientistas a acreditar que a espécie era vulnerável a mudanças ambientais. Em cenários instáveis, isso explicaria sua extinção.>
No entanto, análises detalhadas com tomografia revelaram um sistema mastigatório eficiente e versátil, capaz de lidar com diferentes tipos de alimento ao longo do tempo.>
Com 2,6 milhões de anos, a mandíbula está entre os fósseis mais antigos do Paranthropus já identificados. Isso obriga a ciência a revisar modelos tradicionais da evolução humana.>
A descoberta reforça que o passado foi marcado por múltiplas estratégias de sobrevivência, e não por uma trajetória única rumo ao sucesso evolutivo.>
Ao entender como o Paranthropus se adaptou, pesquisadores conseguem enxergar com mais clareza o cenário em que nossos ancestrais também precisaram aprender a sobreviver.>