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Detalhe inesperado: ciência alerta para novo invasor de 100 kg no Pantanal

Espécie asiática avança pelo território brasileiro, chega ao Pantanal e acende alerta sobre impactos à fauna nativa e à economia rural

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Foto do(a) author(a) Raphael Miras
  • Agência Correio

  • Raphael Miras

Publicado em 3 de março de 2026 às 15:00

Chital registrado na região do Nabileque, no Pantanal, onde a espécie foi flagrada atacando bovinos e ampliando sua área de ocorrência no Brasil.
Chital registrado na região do Nabileque, no Pantanal, onde a espécie foi flagrada atacando bovinos e ampliando sua área de ocorrência no Brasil. Crédito: Foto: Banco de imagem

À primeira vista, ele lembra o Bambi dos filmes da Disney. Corpo esguio, manchas brancas e olhar sereno. Porém, a imagem engana um pouco.

O chital, espécie asiática conhecida cientificamente como Axis axis, tornou-se um novo desafio ambiental no Brasil e acaba de alcançar uma das regiões mais sensíveis do País: o Pantanal.

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De animal de caça a invasor de 100 quilos

O chital foi registrado oficialmente no Brasil em 2009, mas sua presença na América do Sul é mais antiga. No início do século XX, exemplares foram levados ao Uruguai e à Argentina, entre 1928 e 1930, para caça esportiva.

A partir dessas populações, a espécie se espalhou pelo território argentino, chegou ao Paraguai e cruzou a fronteira brasileira pelo Rio Grande do Sul. Hoje há registros também em Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

A expansão ocorre em ritmo acelerado. Estimativas apontam avanço médio entre 100 e 150 quilômetros por ano. Machos podem ultrapassar 100 quilos, com porte robusto e grande capacidade de adaptação.

Trata-se de um animal resistente, capaz de ocupar diferentes ambientes e ampliar rapidamente sua área de ocorrência.

Em janeiro de 2026, o chital foi registrado pela primeira vez no Pantanal, na região do Nabileque, a cerca de 100 quilômetros de Corumbá, no Mato Grosso do Sul.

O detalhe inesperado: agressividade

A presença no Pantanal chamou atenção não apenas pela localização, mas pelo comportamento. Diferentemente da imagem popular associada aos cervos, o chital pode apresentar interações agressivas.

Em 2022, no Paraguai, um exemplar mantido como ornamental atacou e matou um policial na residência oficial da presidência.

O episódio evidenciou que o risco não se limita à fauna silvestre. No Pantanal, o ataque a bovinos reforça que a espécie pode provocar conflitos incomuns para cervídeos nativos.

O risco para a biodiversidade pantaneira

O Pantanal abriga as maiores populações de cervo-do-pantanal, espécie ameaçada de extinção, além do veado-campeiro, do veado-catingueiro e do veado-mateiro. A chegada de um competidor exótico de grande porte cria três riscos centrais:

  • Disputa por alimento: Há evidências de sobreposição na dieta entre o chital e espécies nativas, o que aumenta a competição por recursos naturais.

  • Transmissão de doenças: O invasor pode introduzir patógenos com impacto imprevisível sobre populações silvestres.

  • Conflitos diretos: A agressividade da espécie pode alterar a dinâmica ecológica e provocar desequilíbrios entre os cervídeos da região.

Embora ainda faltem estudos detalhados sobre os efeitos do chital no Pantanal, especialistas alertam que o problema tende a crescer conforme a população invasora aumenta. Quanto maior for a densidade, mais complexo se torna o controle.

O desafio do controle

O histórico brasileiro com o javali serve de alerta. A estratégia baseada principalmente na atuação de Caçadores, Atiradores e Colecionadores não conteve a expansão da espécie no país.

Para estabilizar uma população invasora desse porte, seria necessário remover mais de 60 por cento dos animais a cada ano, índice considerado difícil de atingir. No caso do chital, ainda não há um plano nacional estruturado para conter o avanço.

Enquanto isso, o cervo asiático segue ampliando território. A aparência delicada pode até remeter a um personagem de animação, mas, no campo, ele já representa uma ameaça concreta à biodiversidade brasileira e à integridade de um dos ecossistemas mais importantes do planeta.