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Fazenda da família real vai virar hotel de luxo e reacende debate sobre escravidão

Debate sobre hotel de luxo em São José do Barreiro levanta questões sobre o passado escravocrata

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Agência Correio

Publicado em 25 de janeiro de 2026 às 08:00

O uso do espaço histórico para o lucro privado Crédito: Wikimedia Commons

A Fazenda Pau d’Alho carrega em suas paredes séculos de história brasileira, desde o ciclo do café. O local ganhou fama nacional por hospedar Dom Pedro I pouco antes do grito da Independência em 1822.

Recentemente, surgiu uma proposta para converter este patrimônio tombado em um sofisticado hotel de luxo. O objetivo é permitir que turistas vivenciem o ambiente histórico com total conforto e exclusividade.

Entretanto, o plano divide historiadores e moradores que temem a perda da identidade do complexo histórico. A discussão envolve desde a integridade física das construções até a narrativa do passado regional.

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Um marco do café no interior de São Paulo

Construída originalmente em 1818, a fazenda foi um pilar da produção cafeeira no Vale do Paraíba. O complexo histórico é protegido pelo Iphan desde 1968 devido à sua relevância cultural para o país.

O projeto atual pretende instalar 60 quartos luxuosos dentro da propriedade de São José do Barreiro. Embora as novas construções fiquem fora da área tombada, a interferência nos espaços originais é provável.

Muitos críticos argumentam que o luxo proposto gera uma descontextualização da história real da fazenda. Eles lembram que o local, como outros da época, foi marcado profundamente pelo período da escravidão.

O desafio de receber 45 mil hóspedes

A viabilidade econômica do hotel depende de um fluxo anual estimado em cerca de 45 mil pessoas. Esse volume de visitantes preocupa o Instituto Pau D’Alho, que zela pela preservação da memória local.

Junior Meireles aponta que “a gente não tem estrutura para esse fluxo de turistas” na cidade atualmente. Ele alerta que o peso constante de tanta gente pode comprometer a estabilidade das ruínas históricas.

Além disso, o impacto visual de um empreendimento de 8.300 m² pode alterar a paisagem bucólica da região. O Vale Histórico é conhecido justamente por preservar a atmosfera do Brasil Imperial e Colonial.

Consulta pública define o destino da fazenda

O Governo Federal abriu um espaço de diálogo para que a sociedade civil opine sobre o projeto hoteleiro. O prazo para manifestações foi prorrogado recentemente pelo Ministério do Turismo para maior alcance.

A concessão prevista para 45 anos entrega a gestão de um símbolo nacional para as mãos de empresas privadas. Este modelo de parceria busca fomentar o turismo, mas exige fiscalização rigorosa do patrimônio.

Dessa forma, o destino da Fazenda Pau d’Alho permanece incerto enquanto as discussões técnicas avançam. O equilíbrio entre modernização e respeito à história será o fator decisivo para o futuro do local.