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Flechas envenenadas, caçadores de cabeça e macaco no café: como vivem as tribos mais isoladas do mundo

Em ilhas remotas a florestas ameaçadas por mineração e pecuária, comunidades resistem ao contato enquanto seus territórios encolhem

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Foto do(a) author(a) Vitoria Estrela
  • Agência Correio

  • Vitoria Estrela

Publicado em 3 de março de 2026 às 16:00

Levantamento da Survival International revela quase 200 povos isolados no mundo e alerta para risco de extermínio nas próximas décadas
Levantamento da Survival International revela quase 200 povos isolados no mundo e alerta para risco de extermínio nas próximas décadas Crédito: Mari/Wikimedia Commons

Em diferentes pontos do planeta, ainda há grupos que escolheram não participar do mundo globalizado. Vivem em florestas densas ou ilhas remotas e evitam qualquer aproximação.

Um relatório da Survival International identificou 196 povos isolados em dez países e alertou que 90 podem ser dizimados na próxima década. 

Macaco entre as árvores na Floresta Amazônica por Brenda Viana / CORREIO

Confira abaixo os povos indígenas mais isolados do mundo, segundo reportagem do New York Post.

Mashco Piro

Na Amazônia peruana, os Mashco Piro evitam contato. Um dos raros encontros foi descrito por Paul Rosolie ao New York Post. Ele contou que integrantes do grupo surgiram do outro lado do rio, curiosos e cantando, enquanto sua equipe observava à distância.

“Eles saíram da floresta, levantaram as mãos e começaram a cantar. Um amigo ofereceu bananas”, relatou. No dia seguinte, porém, o mesmo homem foi atingido por uma flecha que atravessou seu corpo e quase o matou.

Fundador da Junglekeepers (Protetores da Floresta, em português), Rosolie acredita que a aproximação partiu deles.

Segundo afirmou, são nômades, alimentam-se de macacos e tartarugas e não fervem água por não terem panelas. “Talvez nem saibam que a água ferva ou congele”, disse.

Sentineleses

Os Sentineleses vivem na Ilha Sentinela do Norte, na Índia, há cerca de 60 mil anos. O grupo ganhou atenção internacional em 2018, quando o missionário John Chau foi morto ao tentar impor sua religião ao grupo.

Fiona Watson, da Survival International, afirma que eles demonstram claramente o desejo de permanecer isolados.

“Podem cruzar flechas nas trilhas ou atirar contra helicópteros. Vivem de forma autossuficiente e não querem contato.” Em 2023, Mykhailo Polyakov foi preso após invadir a área.

Yaifo

Os Yaifo habitam uma região remota da Papua-Nova Guiné. Há cerca de 40 anos, o explorador Benedict Allen relatou possível contato e afirmou que o grupo utilizava cabeças de inimigos como troféus de guerra.

Ele descreveu o ritual de iniciação como “tão duro quanto qualquer outro no planeta”.

Segundo Fiona Watson, pesquisadora da organização Survival International, que apoia os direitos de povos indígenas, "enquanto a floresta estiver protegida e de pé, essas pessoas podem viver de forma suficiente e independente".

Kawahiva

No Mato Grosso, vivem aproximadamente 50 Kawahiva. Imagens de satélite do governo brasileiro revelam acampamentos temporários espalhados pela mata, indicando deslocamentos frequentes.

Em entrevista ao New York Post, Fiona afirmou que produzem cestos de pesca e redes com cipós. Para a pesquisadora, o grupo também tem capacidade para viver de forma independente desde que não haja degradação em seu território.

Ayoreo

Os Ayoreo vivem no Gran Chaco, região que abrange Paraguai e Bolívia. Entre as décadas de 1960 e 1980, missões religiosas levaram doenças que provocaram mortes.

Parte do grupo permaneceu isolada. Outros buscam diálogo com autoridades. “Eles vão à capital para defender os parentes não contatados”, afirmou Fiona, observando que o avanço da pecuária ameaça suas terras.

Hongana Manyawa

Na Indonésia, os Hongana Manyawa vivem sobre áreas ricas em níquel. A presença de mineradoras cresce e pressiona o território tradicional ocupado pelo grupo.

Segundo Fiona, a extração “está penetrando cada vez mais fundo na floresta” e empurrando a população de forma gradual. A disputa pela terra também coloca em risco a continuidade do modo de vida.

Korowai

Também na Papua-Nova Guiné, os Korowai constroem casas no alto das árvores. Mantêm práticas próprias de cura e regras que organizam a convivência entre homens e mulheres.

Apesar de contatos limitados com o governo local, preservam costumes e autonomia. O relacionamento externo ocorre de forma controlada, sem alterar a base da vida comunitária.