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Fernanda Varela
Publicado em 29 de agosto de 2025 às 05:30
Kathryn Mannix, médica britânica especialista em cuidados paliativos, afirma que a morte é um processo natural e tranquilo, apesar de ser cercado por tabus e eufemismos que dificultam lidar com o fim da vida. Para ela, evitar falar sobre a morte torna mais difícil para famílias e pacientes compreenderem e vivenciarem o momento final com serenidade.>
Famosos que morreram em 2025
“Nós deixamos de falar sobre a morte. Em vez de dizer que alguém está morrendo, usamos expressões como ‘muito doente’. Isso impede que a família saiba o que esperar e como se comportar junto ao leito do paciente”, explica Mannix. Ela reforça que esse silêncio gera cenas marcadas por tristeza, ansiedade e desesperança, quando, na verdade, a morte pode ser compreendida como um processo natural, semelhante ao nascimento.>
Segundo a médica, gradualmente, a pessoa se cansa, passa mais tempo dormindo e vai se tornando inconsciente. Esse estado, muitas vezes interpretado como assustador, não é doloroso nem aterrorizante, e o paciente pode até relatar que teve um bom descanso.>
O chamado “estertor da morte”, ruído produzido pela respiração nos momentos finais, é outro exemplo de como os sinais da morte são mal compreendidos. “Esse som indica que o paciente está profundamente relaxado, em um estado de consciência tão profundo que nem a saliva na garganta o incomoda”, afirma Mannix.>
Enterro
No fim, a morte natural se caracteriza por respiração superficial e períodos de silêncio que podem passar despercebidos pelos familiares. Para Mannix, reconhecer e compreender esse processo permite preparar-se emocionalmente e oferece conforto, transformando a morte em um momento que pode ser aceito, celebrado e compartilhado com os entes queridos.>
“A morte normal é algo que deveríamos falar e nos consolar mutuamente. Morrer não é tão ruim quanto se pensa”, conclui a médica.>