Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Meta é acusada de expor usuários em vídeos gravados por óculos inteligentes: 'Há cenas de sexo'

Processo nos EUA aponta que imagens captadas por dispositivos da empresa teriam sido acessadas por funcionários terceirizados que treinam inteligência artificial

  • Foto do(a) author(a) Fernanda Varela
  • Fernanda Varela

Publicado em 7 de março de 2026 às 08:08

Óculos da Meta
Óculos da Meta Crédito: Reprodução

A Meta enfrenta um processo nos Estados Unidos após ser acusada de expor usuários em situações íntimas por meio de vídeos captados pelos óculos inteligentes da empresa. A ação afirma que funcionários terceirizados tiveram acesso a registros que incluem nudez, relações sexuais e informações sensíveis.

Segundo reportagem de jornais suecos, trabalhadores contratados para treinar a inteligência artificial da empresa analisam imagens gravadas pelos óculos Ray-Ban Meta para descrever o que aparece nos vídeos. O material seria usado para ensinar o sistema a reconhecer objetos e situações.

Óculos da Meta por Reprodução

Funcionários da Sama, empresa terceirizada sediada no Quênia, teriam acesso aos registros para identificar elementos presentes nas imagens, como placas de trânsito, objetos domésticos ou ambientes. No entanto, durante esse trabalho, também acabariam vendo pessoas em momentos privados.

Um dos trabalhadores relatou que vídeos mostram situações íntimas sem que os usuários aparentemente saibam da possibilidade de análise humana.

“Em alguns vídeos, você pode ver alguém indo ao banheiro ou se despindo. Acho que eles não sabem, porque, se soubessem, não estariam gravando”, disse ao jornal sueco Svenska Dagbladet.

Outro funcionário afirmou ter visto gravações feitas dentro de quartos. “Vi um vídeo em que um homem coloca seus óculos na mesa de cabeceira e sai do quarto. Depois, a esposa dele entra e troca de roupa”, contou.

Um terceiro trabalhador relatou ter encontrado também vídeos de relações sexuais captadas pelos dispositivos. “Também há cenas de sexo filmadas com os óculos inteligentes, alguém usa enquanto faz sexo. É por isso que é tão delicado”, disse.

Esses profissionais são chamados de anotadores de dados e têm a função de descrever imagens e sons captados pelos dispositivos para ajudar no treinamento dos sistemas de inteligência artificial.

A ação judicial foi aberta na quarta-feira (4) em um tribunal da Califórnia e acusa a Meta de propaganda enganosa e violação de leis de privacidade.

O processo cita inclusive campanhas publicitárias da empresa que garantiam controle total dos usuários sobre seus dados.

“Você está no controle de seus dados e conteúdo”, dizia um anúncio da companhia mencionado na ação.

Nos termos de uso dos óculos inteligentes, a Meta afirma que as interações com a inteligência artificial podem ser analisadas.

“Em alguns casos, a Meta analisará suas interações com IAs, incluindo o conteúdo de suas conversas ou mensagens. Essa análise pode ser automatizada ou manual”, diz o documento.

A empresa afirma que as imagens passam por um processo de desfoque para proteger a privacidade das pessoas. No entanto, fontes ouvidas pela imprensa sueca disseram que o recurso nem sempre funciona, o que permitiria identificar rostos nos vídeos.

O Escritório do Comissário de Informações do Reino Unido informou que pretende solicitar esclarecimentos à empresa.

“Dispositivos que processam dados pessoais, incluindo óculos inteligentes, devem dar aos usuários o controle e garantir a devida transparência”, afirmou o órgão.

A Meta declarou que processa os registros captados pelos óculos de acordo com seus termos de serviço. A companhia também disse que os dispositivos não gravam continuamente, e que os vídeos só são registrados quando o usuário pressiona um botão físico ou usa um comando de voz.