Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Agência Correio
Publicado em 16 de fevereiro de 2026 às 18:00
Imagine escalar um paredão rochoso e encontrar marcas de uma fuga desesperada que aconteceu há 80 milhões de anos. >
Escaladores profissionais encontraram evidências de uma possível debandada de tartarugas marinhas em território italiano. Atualmente, as investigações indicam que esses répteis estavam fugindo de um forte terremoto.>
Os cientistas afirmam que os sulcos encontrados em uma rocha no Monte Cònero foram feitos durante esse momento de estresse. >
Tartaruga que viveu mais de 40 anos em cativeiro chega ao Brasil
Essa descoberta é muito relevante, pois os rastros são semelhantes a outros achados na mesma região. Inicialmente, acreditava-se que as marcas pertenciam a outros répteis do Cretáceo.>
Portanto, a equipe decidiu aprofundar as investigações para confirmar a origem desses sinais. Após um longo período de análises, os resultados foram publicados na revista Cretaceous Research. >
O estudo contou com a ajuda de geólogos e alpinistas experientes para acessar os locais mais difíceis da montanha.>
Para realizar o trabalho de campo, o geólogo Paolo Sandroni e o especialista Alessandro Montanari foram consultados. Eles escalaram a área investigada com o objetivo de coletar amostras de rochas e documentar tudo com drones. >
Além disso, os pesquisadores descobriram algo surpreendente sobre a formação geológica do local.>
Embora hoje a região faça parte de uma montanha, no passado ela era um leito marinho profundo. Forças tectônicas poderosas ergueram e dobraram esse solo ao longo de milhões de anos. >
Consequentemente, as pegadas dos animais ficaram posicionadas em uma altitude elevada, facilitando a observação atual pelos especialistas.>
As amostras de rochas coletadas estavam localizadas logo acima das pegadas preservadas. >
De acordo com os estudos, os únicos vertebrados grandes o suficiente para deixar tais marcas eram os répteis marinhos. >
Entre as espécies prováveis, as tartarugas marinhas se destacam como as principais candidatas ao rastro.>
Em situações normais, as correntes marítimas teriam apagado esses vestígios rapidamente. No entanto, o terremoto causou uma avalanche subaquática logo após os animais passarem por ali. >
Esse fenômeno cobriu as marcas com sedimentos e permitiu que elas fossem preservadas perfeitamente até os dias de hoje.>
Por outro lado, alguns especialistas questionam a identidade exata do animal que deixou os rastros. Michael Benton, professor da Universidade de Bristol, explicou que as pegadas apresentam um movimento de impulso incomum. >
Segundo ele, o padrão de natação das tartarugas modernas é geralmente mais fluido e eficiente.>
Benton afirmou que: "As tartarugas marinhas geralmente têm um modo de natação muito eficiente, um pouco como voar debaixo d'água, onde as nadadeiras dianteiras giram". >
Apesar das dúvidas, Montanari defende que a geologia confirma o deslizamento submarino provocado pelo terremoto, garantindo a qualidade científica da pesquisa realizada na Itália.>