Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Agência Correio
Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 11:00
Você já parou para pensar se suas expressões cotidianas fazem sentido para todos ao redor? Às vezes, o que consideramos um conselho simples é apenas o reflexo de um lugar de conforto social. Essa linguagem invisível separa realidades.>
Reconhecer que vivemos em bolhas diferentes ajuda a melhorar a forma como nos comunicamos. Ao entender que o privilégio molda nossa fala, conseguimos ter diálogos muito mais humanos e empáticos.>
Quando alguém diz “É só trocar de emprego”, esquece que nem todos possuem redes de networking sólidas. Para milhões, abandonar um posto de trabalho significa enfrentar a insegurança alimentar e a falta de renda.>
Símbolos de status da classe média
Mesmo com vagas abertas em várias cidades, o acesso a elas é desigual. Por isso, a liberdade de escolha profissional é um privilégio que depende de estabilidade financeira.>
É comum ouvir que todos possuem as mesmas 24 horas em discursos de produtividade. Contudo, essa frase ignora quem gasta quatro horas do dia apenas em deslocamentos no transporte público.>
Enquanto uns investem o tempo em estudos, outros cuidam da família e de dois empregos. Desse modo, o tempo livre se manifesta como um privilégio real e muito valioso.>
Muitos afirmam com facilidade que “Dinheiro não é tudo” quando possuem suas necessidades básicas atendidas. Para quem vive no limite financeiro, o dinheiro representa a segurança de ter o que comer.>
As estatísticas mostram que a desigualdade no Brasil tem cor e gênero bem definidos. Mulheres negras, por exemplo, ganham em média menos da metade do que homens brancos ganham.>
A sugestão de que “É só pensar positivo” costuma ignorar crises emocionais e financeiras profundas de outrem. Embora a mente ajude, ela não tem o poder de resolver problemas de ordem estrutural.>
Minimizar a dor do outro com frases feitas retira a validade do sofrimento alheio. Além do mais, esse tipo de comentário afasta as pessoas e impede uma conexão real.>
O hábito de dizer que só compra orgânicos revela um orçamento que permite escolhas alimentares mais caras. No Brasil, muitas famílias focam apenas em conseguir colocar qualquer alimento na mesa dos filhos.>
A alimentação saudável e selecionada acaba sendo um marcador de classe social muito claro. Assim, o poder de escolha alimentar não é uma realidade compartilhada pela massa popular.>
A pergunta “Por que você não contrata alguém para isso?” surge de quem pode pagar por serviços. Para a maioria, o orçamento mensal não permite delegar limpezas ou consertos básicos para terceiros.>
Os maiores erros da classe média ao lidar com dinheiro
Realizar as tarefas domésticas por conta própria é uma imposição da falta de recursos extras. No entanto, quem tem privilégios costuma esquecer que a mão de obra profissional custa caro.>
Ouvir que “A gente sempre viaja nas férias” soa como ficção para quem nunca saiu da cidade. Para grande parte dos brasileiros, o recesso serve apenas para colocar as tarefas domésticas em dia.>
Conhecer outros países ou estados exige uma reserva financeira que a maioria não possui. Afinal, o turismo de lazer ainda é uma atividade voltada para as classes mais altas.>
A frase “É só trabalhar mais” tenta simplificar uma jornada que é cheia de obstáculos sociais. Existem milhares de pessoas trabalhando no limite da exaustão sem conseguir sair da pobreza extrema.>
O esforço individual é importante, mas ele não apaga as desigualdades históricas de nosso país. Por outro lado, reconhecer isso é o primeiro passo para uma sociedade mais justa.>