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Agência Correio
Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 08:00
O pesquisador Harald Zur Hausen, que recebeu o Prêmio Nobel de Medicina em 2008, estabelece uma relação direta entre o consumo de carne bovina e a incidência elevada de câncer de cólon, além de questionar o papel do leite em doenças degenerativas. >
Dados epidemiológicos globais sustentam a observação do cientista, mostrando diferenças dramáticas nas taxas de câncer conforme os padrões de consumo de carne variam entre regiões.>
A carne vermelha permanece no centro de debates nutricionais há décadas. Agora, um dos maiores nomes da medicina contemporânea reforça a urgência de examinar criticamente esse alimento e seus efeitos na saúde humana de longo prazo.>
Zur Hausen, médico e cientista alemão de reconhecimento internacional, faz uma afirmação contundente: "O consumo de carne bovina é definitivamente um fator de risco significativo para o câncer de cólon". Essa declaração é respaldada por análise cuidadosa de dados epidemiológicos coletados em diversos países.>
O pesquisador observa um padrão geográfico consistente e preocupante. Japão e Coreia do Sul, onde o consumo de carne vermelha aumentou após a 2ª Guerra Mundial, sobretudo em alguns preparos malpassados, mostram as maiores taxas de câncer de cólon registradas. Em contraste, a Índia, com consumo de carne bovina muito baixo, apresenta a menor incidência global da doença.>
Câncer de cólon
A realidade da Índia não é coincidência, mas resultado de práticas culturais seculares. No hinduísmo, a vaca ocupa posição de sacralidade, representando Mãe Terra, vida e fertilidade. Esse animal é protegido e respeitado, não consumido como alimento pela maioria da população.>
O que emerge dessa observação é notável: uma tradição religiosa milenar coincide com benefícios de saúde pública mensuráveis. Isso sugere que sistemas de crenças antigos podem ter captado verdades sobre saúde que apenas agora a ciência moderna consegue validar empiricamente.>
Pesquisas atuais esclarecem como a carne vermelha afeta o corpo humano negativamente. O ferro heme presente nesse tipo de carne, juntamente com outros componentes naturais, estimula processos inflamatórios crônicos no trato intestinal.>
Quando a carne é submetida a altas temperaturas durante o cozimento, reações químicas geram compostos adicionais com propriedades mutagênicas. Essas substâncias podem danificar material genético celular e aumentar a probabilidade de transformação maligna no epitélio colônico.>
Zur Hausen amplifica seu alerta para produtos lácteos. Em entrevista ao Cinco Días, declarou: "Aparentemente, nosso gado é um claro fator de risco, e precisamos ter mais cuidado durante a amamentação". Essa ressalva indica que produtos de origem animal merecem escrutínio contínuo.>
O cientista sugere que o leite pode elevar a probabilidade de desenvolvimento de células malignas e está potencialmente ligado ao surgimento de doenças neurodegenerativas crônicas como esclerose múltipla e Parkinson. Essas condições incapacitantes afetam milhões globalmente.>
As conclusões de Zur Hausen indicam que mudanças nos padrões de consumo alimentar podem resultar em redução significativa de doenças graves em nível populacional. Não se trata necessariamente de eliminação completa, mas de moderação estratégica.>
Escolhas inteligentes no preparo de alimentos, redução das porções de carne vermelha, substituição parcial por proteínas alternativas e maior atenção aos métodos de cozimento representam passos práticos e viáveis para reduzir exposição a fatores de risco.>