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Ana Beatriz Sousa
Publicado em 14 de maio de 2026 às 10:26
Nesta semana, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deu sinal verde para um projeto de lei, no mínimo, inusitado: tornar o humorista e apresentador Fábio Porchat "persona non grata" no estado. >
A iniciativa partiu do deputado Rodrigo Amorim (PL), que preside a comissão. Segundo o parlamentar, o motivo da "desomenagem" seriam as esquetes de humor do criador do Porta dos Fundos que tocam em temas religiosos, além de vídeos em que o artista faz críticas e xingamentos direcionados à equipe do ex-presidente Jair Bolsonaro.>
Fábio Porchat
A votação na CCJ não foi unânime. O placar terminou em 4 a 2 a favor da medida. Deputados como Alexandre Knoploch e Sarah Poncio votaram sim, enquanto Carlos Minc (PSB) e Luiz Paulo (PSD), se posicionaram contra.>
Para Minc, o projeto beira o absurdo jurídico. O deputado argumenta que o título de "persona non grata" é um instrumento da diplomacia internacional usado entre países e não se aplica a cidadãos brasileiros dentro de seu próprio estado. “Não se faz uma lei para uma pessoa específica. Isso é uma mise-en-scène”, criticou Minc, sugerindo que o movimento tem mais valor de "palco" do que efeito prático, já que dificilmente seria sancionado pelo governo.>
Juliano Cazarré anuncia projeto voltado ao público masculino e é criticado por famosos
Ao defender sua tese nas redes sociais, Rodrigo Amorim foi além, publicou um vídeo comparando a conduta de Porchat com a do ator Juliano Cazarré. Enquanto busca punir simbolicamente o humorista, o deputado propôs, simultaneamente, uma honraria para Cazarré, que recentemente gerou polêmica ao lançar um curso voltado para a "masculinidade".>
Se o projeto for aprovado no plenário por maioria simples, o efeito para Porchat será majoritariamente simbólico, uma espécie de "carimbo de desaprovação" oficial de parte do Legislativo fluminense. O humorista, que é carioca e mantém intensa agenda cultural no Rio, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso.>