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Quem é Leslie Fremar, a 'verdadeira Emily' que inspirou O Diabo Veste Prada

Ex-assistente de Anna Wintour revelou bastidores reais da Vogue ligados à criação do clássico do cinema.

  • Foto do(a) author(a) Heider Sacramento
  • Heider Sacramento

Publicado em 8 de maio de 2026 às 23:35

Por quase duas décadas, uma das maiores perguntas em torno de O Diabo Veste Prada permaneceu viva entre fãs de moda e cultura pop: afinal, quem foi a verdadeira inspiração para Emily Charlton, a assistente ácida interpretada por Emily Blunt no filme?

A resposta voltou ao centro das atenções nas últimas semanas depois que a stylist Leslie Fremar, ex-assistente de Anna Wintour na Vogue, falou publicamente sobre o assunto em uma entrevista ao podcast da Vogue. A repercussão foi imediata porque, durante anos, o universo fashion tratou Fremar como a “verdadeira Emily” da história.

A confusão aumentou ainda mais nas redes sociais após vídeos antigos dos bastidores da Vogue voltarem a circular no TikTok, alimentando teorias sobre quem realmente inspirou os personagens do filme.

O que é fato, porém, é que o fenômeno começou muito antes de Hollywood. Tudo nasceu em 2003, quando Lauren Weisberger lançou o livro “The Devil Wears Prada”, romance inspirado em sua breve passagem como assistente pessoal de Anna Wintour na revista Vogue.

Na época, Weisberger tinha pouco mais de 20 anos e havia acabado de sair da universidade quando conseguiu o emprego na revista mais poderosa do mundo da moda. Ela trabalhou menos de um ano ao lado de Wintour, mas a experiência foi suficiente para virar material literário, e uma bomba nos bastidores da indústria fashion.

Sequência de “O Diabo Veste Prada” pode ter música inédita de Madonna por Divulgação

Embora Lauren sempre tenha afirmado que Miranda Priestly era uma personagem ficcional, as comparações com Anna Wintour começaram antes mesmo do lançamento oficial do livro. Miranda era britânica, controlava uma revista de moda gigantesca, tinha dois filhos e comandava funcionários sob pressão extrema, características imediatamente associadas à editora da Vogue.

O lançamento do livro causou desconforto real dentro da Vogue. Segundo relatos da época, muitos funcionários enxergaram a obra como uma traição silenciosa aos bastidores da revista. A própria Leslie Fremar afirmou recentemente que considerou o livro “bem cruel” e um rompimento da privacidade daquele ambiente.

Foi nessa entrevista recente que ela confirmou pela primeira vez que realmente serviu de inspiração para Emily Charlton. Fremar contou que foi ela quem contratou Lauren Weisberger na Vogue e que diversas situações do livro nasceram daquela convivência.

Há inclusive uma frase icônica ligada diretamente à vida real. Segundo Fremar, a famosa fala sobre “um milhão de garotas matariam por esse emprego” teria sido dita originalmente por ela nos bastidores da Vogue antes de entrar para o roteiro do filme.

Embora “O Diabo Veste Prada” tenha ganhado fama como uma representação quase documental dos bastidores da moda, boa parte da história realmente nasceu de experiências vividas por Lauren Weisberger durante o período em que trabalhou como assistente de Anna Wintour na Vogue. A editora é considerada até hoje a principal inspiração para Miranda Priestly, personagem interpretada por Meryl Streep no cinema.

O ambiente de pressão extrema dentro da indústria fashion também não foi inventado para o livro, e antigos funcionários da revista já admitiram reconhecer comportamentos e situações retratadas na trama. Além disso, Leslie Fremar, ex-assistente de Wintour, realmente trabalhou ao lado da editora e acabou servindo de inspiração para aspectos da personalidade de Emily Charlton.

Ao mesmo tempo, Lauren Weisberger sempre deixou claro que parte da narrativa foi dramatizada para funcionar melhor como romance e adaptação cinematográfica. Segundo a autora, várias cenas consideradas absurdas foram criadas ou exageradas para aumentar o impacto da história. Miranda Priestly, apesar das comparações inevitáveis, não seria uma reprodução literal de Anna Wintour, mas uma mistura de referências do universo editorial.

Alguns episódios também foram inspirados em relatos de amigos da escritora sobre primeiros empregos, enquanto a versão de Emily apresentada no filme acabou ganhando características mais ácidas e caricatas para funcionar como antagonismo e alívio cômico dentro da narrativa.

Curiosamente, o próprio filme acabou mudando a imagem pública de Anna Wintour. Quando a adaptação chegou aos cinemas em 2006, existia medo real na indústria da moda sobre possíveis represálias da editora contra quem colaborasse com a produção.

Com o tempo, porém, a relação entre Anna Wintour e o universo do filme ficou menos hostil. Ela compareceu à estreia usando Prada e mais tarde admitiu ter achado o longa divertido, especialmente pela atuação de Meryl Streep.

Enquanto isso, Lauren Weisberger transformou a antiga experiência traumática em uma das maiores franquias da cultura pop ligada à moda. O livro virou best-seller mundial, ganhou sequência, musical e agora até um novo capítulo no cinema.

E mesmo depois de tantos anos, a pergunta sobre quem foi a “verdadeira Emily” continua movimentando fãs, fashionistas e antigos bastidores da Vogue.