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Agência Correio
Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 13:00
Enquanto milhões de brasileiros sentem o peso da conta de água, uma cidade do interior paraibano vive uma exceção que dura mais de 60 anos: por lá, abastecimento não vira despesa mensal. >
Itapororoca nunca cobrou um centavo dos moradores pela água que chega às torneiras. A explicação está na natureza: uma nascente consegue suprir a cidade, sustentando residências, comércios e prédios públicos.>
Por que a água mineral faz 'glup'
O que parece simples, na prática, depende de preservação e equilíbrio. Com a população aumentando, o abastecimento gratuito segue firme, mas já enfrenta o desafio de atender uma demanda muito maior do que no passado.>
A base do sistema existe desde a fundação do município, em 1961. A nascente, considerada única na região, mantém o fornecimento contínuo e reduz a necessidade de estruturas complexas para distribuir o recurso.>
Um detalhe faz diferença: a água corre por gravidade, graças a uma rara “anomalia hidrogeológica” que favorece a absorção e a distribuição natural. Assim, o abastecimento se sustenta com fluxo constante.>
O Parque da Nascença concentra a área de preservação ambiental que protege o sistema. Além do papel ambiental, o parque se tornou símbolo do município e ponto de encontro para quem vive na cidade.>
O espaço também desperta interesse de quem vem de fora. Piscinas naturais e um pequeno balneário ajudam a explicar por que turistas procuram Itapororoca para ver de perto a cidade onde a água é gratuita.>
O ecoturismo ganhou força com a Ecotrilha da Nascença. O percurso atravessa trechos arborizados, com árvores centenárias, e passa por formações rochosas que fazem parte do patrimônio natural local.>
As rochas de origem vulcânica têm função estratégica: atuam como reservatório natural, filtrando e armazenando a água que abastece o município. Preservar o ambiente, aqui, também é preservar o abastecimento.>
O sistema que atendia cerca de mil famílias agora precisa dar conta de mais de 5 mil residências só na zona urbana. Com mais gente, a responsabilidade de manter a regularidade cresce junto com a cidade.>
Esse aumento reforça a necessidade de planejamento para os próximos anos. A meta é sustentar a oferta contínua e evitar que o avanço urbano comprometa o que tornou Itapororoca uma raridade no país.>
A concessão do serviço à Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) já foi aprovada. A medida aponta para uma nova etapa na administração do abastecimento do município.>
Mesmo assim, não existe data definida para a mudança. Por enquanto, Itapororoca mantém a rotina construída ao longo de décadas: água chegando às torneiras sem cobrança direta aos moradores.>