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Romaria e noites de festa: Como Boipeba parou por 10 dias em celebração que atrai turistas do mundo todo

Festejo na ilha baiana mistura cortejos religiosos de 410 anos, rituais de matriz africana e shows; veja como foi

  • Foto do(a) author(a) Ana Beatriz Sousa
  • Ana Beatriz Sousa

Publicado em 31 de maio de 2026 às 21:38

Romaria de São Francisco em Boipeba, Bahia (2026)
Romaria de São Francisco em Boipeba, Bahia (2026) Crédito: Tiago Victor

Se você acha que a Ilha de Boipeba, no Baixo Sul da Bahia, só serve para quem busca calmaria e praias desertas, a cidade acaba de provar que a sua força cultural vai muito além. Durante dez dias intensos deste mês de maio, o paraíso baiano se transformou no cenário de uma das manifestações de fé mais antigas e impressionantes do Brasil: a Festa do Divino Espírito Santo e a Festa de Boipeba 2026.

O evento, que une gerações desde o ano de 1616, conseguiu a façanha de integrar perfeitamente a devoção católica, os rituais do candomblé, rodas de capoeira, muito samba de roda e, claro, aquela dose caprichada de shows.

Lavagem na Festa do Divino Espírito Santo em Boipeba, 2026 por Tiago Victor

A maratona festiva começou no dia 15 de maio com o tradicional novenário. No sábado (17), aconteceu a emocionante Lavagem da Igreja do Divino Espírito Santo, templo histórico erguido pelos jesuítas no século XVII. Uma multidão vestida de branco tomou as ruelas de terra da ilha com flores, panelas de barro e água de cheiro.

O ápice do evento aconteceu no Domingo de Pentecostes (24), com a missa solene, e se estendeu até a segunda-feira (25) com um dos momentos mais bonitos do arquipélago: a Romaria de São Francisco. Em uma procissão marítima, os barcos dos pescadores locais ganharam as águas carregando as imagens sacras antes do cortejo final.

Paralelamente, a Prefeitura de Cairu comandou a Festa de Boipeba 2026 nos dias 24 e 25 de maio. Entre as atrações, estavam Ritta Faromi e o grupo Papazoni. Já na segunda noite foi a vez de DJ Gabriel, Karamba na Kara, Magno Netto e Elton Risco In Samba 2.0 colocar todo mundo para dançar. 

De acordo com o secretário municipal de Turismo, Cláudio Brito, esse formato que une o sagrado e o popular é o grande segredo para o sucesso da região, que já ostenta o título de terceiro maior polo turístico da Bahia. "Cairu já se consolida com mais de 800 mil visitantes por ano, registrando um crescimento médio de 7% de uma temporada para outra", destaca Brito.

Romaria de São Francisco em Boipeba, Bahia (2026) por Tiago Victor

Os números mostram que o turismo religioso é um negócio extremamente lucrativo. Só o estado da Bahia recebe cerca de 3,3 milhões de viajantes focados em roteiros de fé por ano, movimentando R$ 4,3 bilhões. O Observatório do Turismo aponta que esse perfil de visitante não economiza: gasta em média R$ 2,4 mil por viagem e ajuda a lotar pousadas, restaurantes e o comércio local.

Para a secretária de Cultura de Cairu, Cíntia Palma, o segredo do sucesso está no respeito e na união dos povos. "Essa celebração mostra a beleza da união entre diferentes crenças, do respeito e da cultura viva de um povo que mantém sua história pulsando", define.

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