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Sobre o livro que nasceu quando o mundo parou

Entre perdas, pausas e redescobertas, como o isolamento provocado pela pandemia ajudou a transformar antigos contos no livro Sob as Estrelas – Contos, Encantos e Reencontros

Publicado em 12 de março de 2026 às 06:00

Sob as Estrelas – Contos, Encantos e Reencontros
Sob as Estrelas – Contos, Encantos e Reencontros Crédito: DIVULGAÇÃO

O Carnaval de 2025 terminou e trouxe uma constatação inevitável: já se passaram cinco anos desde o início da pandemia da COVID-19, cujo isolamento começou logo após o Carnaval de 2020. O mundo seguiu em frente, as ruas voltaram a se encher, os encontros reapareceram. Ainda assim, aquele período deixou marcas silenciosas e aprendizagens profundas. Foi um tempo de medo, de perdas e de pausa.

Para muitos, ficaram ausências irreparáveis. Para outros, permaneceram marcas invisíveis: desequilíbrios emocionais, despedidas que não aconteceram, amores tensionados pela distância ou pela convivência intensificada. Embora o cotidiano tenha retomado seu ritmo, nem tudo foi elaborado no tempo necessário.

Também para mim foi um período de transformações pessoais que exigiram maturidade e reorganização emocional. Entre o silêncio e o recolhimento, o livro Sob as Estrelas – Contos, Encantos e Reencontros chegou à sua forma definitiva.

Os contos, escritos anos antes, amadureceram à luz desse novo tempo. A escrita encontrou na ilustração um elemento complementar, ampliando a experiência estética da obra e aprofundando suas camadas de elaboração e sentido.

Os textos já vinham sendo maturados, em períodos diluídos de reflexão. Mas foi durante o isolamento social que os desenhos começaram a nascer, em grafite, lápis sobre papel. O traço proporcionou beleza e leveza às histórias, como gesto de carinho e presença. Aquilo que parecia apenas pausa revelou-se processo criativo. À medida que as ilustrações ganhavam forma, os textos também foram sendo ajustados. Palavra e imagem passaram a dialogar com mais harmonia, permitindo que a leitura se tornasse fluida, com espaço para que o leitor respirasse entre as páginas e os contos.

Desenhar em grafite naquele período não foi apenas uma escolha técnica, mas também simbólica. O traço monocromático exigia atenção, silêncio e paciência. Enquanto o mundo vivia a aceleração das notícias e das estatísticas, o desenho impunha um ritmo contrário: lento, atento, quase meditativo. Nesse contraste entre urgência externa e tempo interior, palavra e imagem encontraram equilíbrio. O que era incerteza transformou-se em composição; o que era espera tornou-se construção.

Assim, o livro foi se construindo em camadas, não apenas como projeto editorial, mas como síntese de um período histórico e pessoal. Sob as Estrelas tornou-se símbolo de continuidade: uma obra que atravessou um tempo de incertezas e se consolidou como expressão de luz, delicadeza e encantamento.

Sob as Estrelas é, portanto, resultado de uma travessia que uniu maturidade e infância, técnica e afeto, estrutura e sensibilidade. Um livro que começou antes da pandemia, atravessou o isolamento da COVID-19 e se consolidou como um renascimento. Um reencontro com a arte, com a fé e com a minha própria história. Que respinga na de muitos leitores.

Jealva Ávila é arquiteta e escritora. Autora do livro Sob as Estrelas – Contos, Encantos e Reencontro (Tear Editora)