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Espetáculo "Inferno" apresenta reflexões de uma diarista sobre o seu lugar na sociedade

Monólogo segue até o próximo dia 31 na Casa Rosa, no Rio Vermelho; ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)

  • Foto do(a) author(a) Gilberto Barbosa
  • Gilberto Barbosa

Publicado em 22 de agosto de 2025 às 06:00

Monólogo segue até o próximo dia 31 na Casa Rosa, no Rio Vermelho Crédito: Fábio Bouzas

Em um pequeno cubículo, a diarista Vânia começa a refletir sobre si mesma e a sua rotina enquanto empregada doméstica. Aos poucos, ela vai tomando consciência sobre as dinâmicas de poder que a cercam e passa a questionar o lugar que ocupa na sociedade.

Esse é o ponto de partida do monólogo Inferno, protagonizado pela atriz baiana Ana Paula Bouzas e que estreia nesta sexta-feira (22) no Teatro Cambará da Casa Rosa, no Rio Vermelho. Com direção de Fábio Espírito Santo, a peça é baseada em um texto escrito pelos dramaturgos Rodrigo de Roure e Luiz Felipe Andrade e está em sua terceira passagem por Salvador.

Através da voz de Vânia, o espectador é apresentado ao cotidiano da personagem, aos seus patrões e a sua relação com eles. A atuação é feita em uma área que remete aos quartos destinados para as domésticas. Com dimensões de 2,40m x 2,40m, o espaço foi ocupado com objetos da casa e eletrodomésticos para dar a sensação de sufocamento vivida pela protagonista.

“O inferno representa esse lugar maldito, onde ficam as coisas que não servem e não tem espaço para existir, que é onde as empregadas muitas vezes são colocadas. No espetáculo, ele se torna um espaço de revolução da Vânia, que vai tomando consciência na medida em que ela fala sobre si e reproduz as cenas com seus patrões”, pondera a atriz.

A construção da protagonista busca fugir de estereótipos acerca dos que seria a representação de uma empregada doméstica. Apesar de usar a história de uma diarista como fio condutor, Ana Paula ressalta que peça reflete sobre as dinâmicas de trabalho que perpassam o dia a dia.

“Ela é uma mulher muito arrasada e que continua nesse lugar por não ter alternativas. Mas essa mulher é politizada, ela sabe por que está ali e tem uma visão crítica sobre o que está acontecendo. A Vânia faz suas críticas e apontamentos com ironia e bom humor, mostrando que ela sabe o que se passa ao seu redor e que explode nessa tomada de consciência”, continua.

“Através da presença desses patrões, nós percebemos que há essa relação. São pessoas que exercem sem nenhum pudor o seu racismo, seu machismo, o seu lugar de exploração e abuso de autoridade. Eles representam essa classe média que acha que está escapando desse lugar, mas não está”, diz Bouzas.

A história de Vânia será adaptada para o cinema, em longa-metragem com direção de Maria Carolina. As gravações já foram finalizadas, mas ainda não há previsão para o lançamento do filme. Ana Paula fala sobre os desafios de interpretar a personagem em outro formato e como isso impactou o seu retorno ao teatro.

“São linguagens diferentes e o nosso corpo se comporta de uma outra maneira. O ponto de partida do filme existe na peça, mas não ganha tanto destaque. Além disso, os patrões ganham vida e a forma que eles foram construídos pelos atores não era aquilo que eu imaginava. Quando eu volto para a peça, eu tenho a imagem dessas pessoas e isso gera um novo desafio, que é um risco, mas que é muito instigante”.

A peça é o segundo trabalho de Ana Paula com o diretor Fábio Espírito Santo. Antes, a dupla firmou parceria no espetáculo Carmen de Cervantes, que passou pelos palcos em 2015. Com histórico extenso no teatro, cinema e televisão, além de atuar como diretora e preparadora de elenco, a atriz traça um paralelo entre Vânia e seus trabalhos anteriores.

“Eu fui para o Rio de Janeiro há cerca de 30 anos, quando os atores e atrizes nordestinos eram sempre colocados em espaços específicos, como o da doméstica. Hoje em dia, temos uma diversidade maior, mas na minha época dificilmente esses lugares eram rompidos. Esse lugar da Vânia, e esse empoderamento dela, dialogam com esse espaço que eu já visitei e que ainda é ocupado por muitos colegas”, afirma.

“Espero trazer essa reflexão sobre essa relação que é parte das nossas vidas, seja como patrão ou empregado. Que as pessoas cheguem, se divirtam e deixem a Vânia fazer essa conversa tão importante. Esse eco é muito legal e uma das melhores coisas que temos enquanto artista”, finaliza a atriz.

“Inferno” segue em cartaz no Teatro Cambará da Casa Rosa até o dia 31 de agosto, com exibições às sextas e sábados, a partir das 20h e aos domingos às 19h. Os ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia) e podem ser adquiridos pelo Sympla.

*Com orientação da editora Doris Miranda