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Bruno Wendel
Publicado em 8 de fevereiro de 2026 às 21:30
No Fuzuê, fevereiro não tem regra. Quando o triângulo começa a tilintar e a zabumba marca o passo, ninguém estranha se o Carnaval resolve flertar com o São João. No pré-Carnaval da Barra, até quadrilha junina ganhou espaço — e arrancou sorrisos de quem passava na neste domingo (8).
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Entre as fanfarras tradicionais, quem também puxou o desfile foi um bloco inteiro de forrozeiros, misturando suor, fantasia e muito arrasta-pé. “É a celebração da música nordestina, uma mistura intensa de culturas”, resumiu Luciene Marques, porta-estandarte da Cia de Danças e Folguedos, uma das atrações do domingo (8). >
Fuzuê mistura forró, fantasia e tradição nordestina no pré-Carnaval
A ideia, segundo ela, era lembrar que, passado o Carnaval, o Nordeste já começa a contar os dias para outra grande festa. Por isso, mandacaru, burrinha, pau-de-fitas e Bumba Meu Boi desfilaram sem pedir licença, provando que tradição também sabe brincar. >
A 10ª edição do Fuzuê levou 45 atrações ao circuito Tapajós, entre Ondina e o Farol da Barra. O desfile começou por volta das 14h, com o “Bike Salvador Fantasia” abrindo alas, ao som da banda da Guarda Municipal. Dali em diante, foi um desfile de criatividade e bom humor. >
Mesmo com o termômetro rondando os 30 °C, pierrôs, caretas, baianas e palhaços resistiram firmes — e felizes. “Estou revivendo minha infância, quando meus pais me traziam para ver os desfiles de rua”, contou a aposentada Antônia Moura, de 70 anos, com sorriso de quem voltou no tempo. >
A criançada também fez a festa. Super-heróis cruzavam o circuito de mãos dadas com princesas e palhaços. “Está tudo muito tranquilo, familiar. É perfeito para as crianças”, disse Alessandra Giovana, moradora de Piatã, que levou as filhas de três e seis anos para a folia. >
Fantasia, aliás, é quase uniforme no Fuzuê. No bloco “Os Furdunceiros da Bahia”, moradores do IAPI apostaram no tema “Hoje tem cabaré”. “E cabaré não tem hora pra acabar”, brincou um folião. No meio da multidão, até personagens rivais do cinema e da TV foram flagrados tomando uma cervejinha, em clima de paz e confete. >
“Estamos aqui desde 2017, sempre nessa irreverência”, contou Jorge Carlos dos Santos, o famoso “Papai Smurf”. “Aqui é tudo família, é só alegria”, completou Gilson Rocha, vestido de Gargamel — inimigos só na ficção. >
E como toda boa festa baiana, o Fuzuê também abriu espaço para o samba e para a força da cultura afro-brasileira. Grupos como “Os Malandros do Samba” e o bloco percussivo A Mulherada lembraram que diversidade cultural não é detalhe, é essência. “Isso fortalece nosso povo e nossas raízes”, resumiu a funcionária pública Margarida Costa.>
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