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Alan Pinheiro
Publicado em 3 de março de 2026 às 20:12
Somente a torcida do Bahia poderá assistir ao clássico Ba-Vi no próximo sábado (7), na Arena Fonte Nova, pela final do Campeonato Baiano. A decisão de manter a recomendação de torcida única no confronto entre Bahia e Vitória foi tomada pelo Ministério Público da Bahia, que recusou o pedido do clube rubro-negro de voltar a ter torcida visitante.>
"O Ministério Público do Estado da Bahia, por meio da 3ª Promotoria de Justiça do Consumidor, em resposta ao documento enviado pelo Esporte Clube Vitória, através da Federação Bahiana de Futebol, comunicou hoje, dia 3, que deve ser mantida a política de torcida única na final do Campeonato Baiano de 2026", diz em nota.>
Ba-Vis históricos carregam tabus para Bahia e Vitória
"A Instituição ressalta que a análise sobre essa alteração deve ser pautada por critérios técnicos, priorizando a integridade física dos torcedores, trabalhadores e demais envolvidos. A política de torcida única constitui medida preventiva construída a partir do histórico de episódios de violência e fundamentada no princípio da precaução e da proteção da segurança coletiva", complementa o órgão.>
A atual recomendação do Ministério Público já perdura desde 2018 entre os rivais baianos. Apesar do debate em torno do tema já ser recorrente a cada temporada, uma nova discussão se iniciou após a classificação do Vitória para a decisão do estadual. Dentro do gramado do Barradão, o presidente Fábio Mota declarou que iria protocolar um pedido na Federação Bahiana de Futebol (FBF) pelo fim da torcida única nos clássicos Ba-Vi.>
O argumento do dirigente foi baseado na impossibilidade do torcedor rubro-negro acompanhar a final, visto que o campeão do torneio será conhecido em jogo único, com mando do Bahia – detentor da melhor campanha da competição. A mudança, inclusive, aconteceu pela diminuição de datas para os estaduais pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no novo calendário do futebol brasileiro.>
Maiores artilheiros do clássico Ba-Vi no século 21
“Esse ano o campeonato mudou. Nós vamos ter apenas um Ba-Vi na final. Por ser Ba-Vi, não é justo ter uma única torcida assistindo ao Ba-Vi. Ano passado tivemos duas torcidas assistindo ao Ba-Vi. Amanhã vamos solicitar, mandar o ofício ao Ministério Público, ao Governo do Estado, Secretaria de Segurança Pública, comando da PM solicitando que, esse Ba-Vi, por ser único, que é um fato novo, que seja com torcida mista. Nós vimos um show que a polícia deu no carnaval. A gente tem certeza que vão prover para o Ba-Vi”, disse em entrevista à TVE.>
A decisão tomada pela FBF é de acatar as orientações dos órgãos de segurança pública, especialmente a Polícia Militar e o Ministério Público.>
O estopim da escalada de violência ocorreu em 9 de abril de 2017, quando uma briga generalizada antes de jogo na Arena Fonte Nova terminou com 45 pessoas apreendidas e, horas depois, deixou um homem morto e outro baleado no Dique do Tororó. Diante dos episódios, a CBF, após recomendação do Ministério Público da Bahia (MP-BA), determinou que os clássicos fossem disputados com torcida única por seis partidas, período de quase um ano.>
Em 2 de fevereiro de 2018, o Ministério Público avaliou como positivos os resultados da medida em termos de segurança e autorizou o retorno das duas torcidas aos Ba-Vis. Poucas semanas depois, porém, o primeiro clássico do ano, em 18 de fevereiro, lembrado como “Ba-Vi da paz”.>
A partida ficou marcada por uma briga generalizada entre jogadores dentro do Barradão e por confrontos entre torcedores na região da Baixa dos Sapateiros, o que levou a uma nova recomendação de torcida única — mantida até hoje, depois de 31 Ba-Vis.>
Mandante do confronto do próximo final de semana, o Bahia segue monitorando o tema e conversando com as autoridades. O Tricolor mantém o seu posicionamento contrário ao fim da medida, tendo em vista o entendimento de que não houve mudanças comportamentais que possibilitem o retorno das duas torcidas ao clássico.>
O artigo 56 do Campeonato Baiano explica que os clubes visitantes tem o direito de adquirir a quantidade de ingressos correspondente a no máximo 10% da capacidade do estádio. No entanto, a regra não se aplica aos clássicos Ba-Vi enquanto estiver vigente a deliberação do Ministério Público da Bahia.>