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Alan Pinheiro
Publicado em 2 de março de 2026 às 17:31
Com a realização das semifinais do Campeonato Baiano, a grande decisão do estadual será novamente disputada em um clássico Ba-Vi. O que poderia ser um motivo de festa se torna novamente uma “ferida aberta” para a segurança pública em eventos esportivos na Bahia, já que somente a torcida do Esquadrão está permitida de acompanhar o jogo dentro da Arena Fonte Nova no próximo sábado (7). O confronto entre Bahia e Vitória começa a partir das 17h.>
A atual recomendação do Ministério Público já perdura desde 2018 entre os rivais baianos. Apesar do debate em torno do tema já ser recorrente a cada temporada, uma nova discussão se iniciou após a classificação do Vitória para a decisão do estadual. Dentro do gramado do Barradão, o presidente Fábio Mota declarou que iria protocolar um pedido na Federação Bahiana de Futebol (FBF) pelo fim da torcida única nos clássicos Ba-Vi. >
Maiores artilheiros do clássico Ba-Vi no século 21
O argumento do dirigente foi baseado na impossibilidade do torcedor rubro-negro acompanhar a final, visto que o campeão do torneio será conhecido em jogo único, com mando do Bahia – detentor da melhor campanha da competição. A mudança, inclusive, aconteceu pela diminuição de datas para os estaduais pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no novo calendário do futebol brasileiro.>
“Esse ano o campeonato mudou. Nós vamos ter apenas um Ba-Vi na final. Por ser Ba-Vi, não é justo ter uma única torcida assistindo ao Ba-Vi. Ano passado tivemos duas torcidas assistindo ao Ba-Vi. Amanhã vamos solicitar, mandar o ofício ao Ministério Público, ao Governo do Estado, Secretaria de Segurança Pública, comando da PM solicitando que, esse Ba-Vi, por ser único, que é um fato novo, que seja com torcida mista. Nós vimos um show que a polícia deu no carnaval. A gente tem certeza que vão prover para o Ba-Vi”, disse em entrevista à TVE.>
A decisão tomada pela FBF é de acatar as orientações dos órgãos de segurança pública, especialmente a Polícia Militar e o Ministério Público. O MP-BA, por sua vez, informou que “a eventual retomada da torcida mista em eventos esportivos deve estar condicionada à comprovação, pelos órgãos responsáveis pela segurança pública e pela logística das partidas, de que todos os mecanismos e protocolos efetivos de prevenção e redução de riscos de violência estejam plenamente garantidos”.>
“A Instituição ressalta que a análise deve ser pautada por critérios técnicos, priorizando a integridade física dos torcedores, trabalhadores e demais envolvidos. Nesse contexto, observa-se que o posicionamento dos órgãos especializados em segurança, como o Batalhão Especializado de Policiamento em Eventos (Bepe), é elemento relevante para a avaliação do cenário, especialmente quando não há recomendação favorável à mudança do modelo atual”, disse em nota.>
O estopim da escalada de violência ocorreu em 9 de abril de 2017, quando uma briga generalizada antes de jogo na Arena Fonte Nova terminou com 45 pessoas apreendidas e, horas depois, deixou um homem morto e outro baleado no Dique do Tororó. Diante dos episódios, a CBF, após recomendação do Ministério Público da Bahia (MP-BA), determinou que os clássicos fossem disputados com torcida única por seis partidas, período de quase um ano.>
Em 2 de fevereiro de 2018, o Ministério Público avaliou como positivos os resultados da medida em termos de segurança e autorizou o retorno das duas torcidas aos Ba-Vis. Poucas semanas depois, porém, o primeiro clássico do ano, em 18 de fevereiro, lembrado como “Ba-Vi da paz”.>
Ba-Vis históricos carregam tabus para Bahia e Vitória
A partida ficou marcada por uma briga generalizada entre jogadores dentro do Barradão e por confrontos entre torcedores na região da Baixa dos Sapateiros, o que levou a uma nova recomendação de torcida única — mantida até hoje, depois de 31 Ba-Vis.>
Mandante do confronto do próximo final de semana, o Bahia segue monitorando o tema e conversando com as autoridades. O Tricolor mantém o seu posicionamento contrário ao fim da medida, tendo em vista o entendimento de que não houve mudanças comportamentais que possibilitem o retorno das duas torcidas ao clássico.>
O artigo 56 do Campeonato Baiano explica que os clubes visitantes tem o direito de adquirir a quantidade de ingressos correspondente a no máximo 10% da capacidade do estádio. No entanto, a regra não se aplica aos clássicos Ba-Vi enquanto estiver vigente a deliberação do Ministério Público da Bahia.>
A reportagem entrou em contato com a Polícia Militar da Bahia, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.>