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Maysa Polcri
Publicado em 18 de março de 2026 às 06:00
Cada vez mais comuns, queixas de cansaço extremo, irritação e desânimo têm chamado a atenção de pais e professores entre crianças. Especialistas alertam que, por trás desses sinais, pode estar o burnout infantil, quadro ligado ao excesso de pressão e à falta de tempo para descanso.>
Para a neurocientista e psicanalista Ana Chaves, o problema é real, mas ainda pouco compreendido. “No caso das crianças, o burnout está ligado principalmente às demandas escolares e às expectativas de desempenho”, explica.>
Segundo a especialista, não se trata de um cansaço passageiro. O burnout infantil aparece quando há uma sobrecarga contínua, que ultrapassa a capacidade da criança de lidar com as exigências do dia a dia. “É um estado de esgotamento psicológico, com perda de interesse pelos estudos e sensação de incapacidade”, resume. >
Entre os principais gatilhos estão a pressão por bons resultados na escola, agendas lotadas e a falta de tempo livre para brincar e descansar. Ana Chaves destaca que o uso excessivo de telas também entra nesse cenário, mas não como causa única. “O uso de telas raramente é um fator isolado, mas pode agravar o problema, principalmente quando interfere no sono, na atividade física e nas relações sociais”, afirma. >
Ou seja, o risco aumenta quando a criança tem pouco tempo para se recuperar emocionalmente e vive em um ambiente de cobrança constante. Os sinais vão além do cansaço, e os sintomas do burnout infantil podem ser confundidos com comportamentos comuns da infância, o que dificulta a identificação. >
De acordo com a especialista Ana Chaves, um dos pontos de atenção é a duração dos sintomas. “Família e escola precisam observar mudanças que persistem por semanas e que afetam a relação da criança com os estudos e com a rotina”, orienta. >
A identificação do burnout infantil costuma depender da observação conjunta entre pais e professores. Enquanto a escola costuma perceber a queda no desempenho e na atenção, a família tende a notar alterações no comportamento e no humor. “Não é um sintoma isolado que define o problema, mas um conjunto de sinais que aparecem ao mesmo tempo e de forma prolongada”, explica Ana Chaves. >
O tratamento, segundo a especialista, não se limita à terapia, mas inclui ainda a redução da sobrecarga, garantia de mais tempo para descanso, incentivo às brincadeiras e reequilíbrio das expectativas em relação ao desempenho escolar. >