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Empresário baiano retido no Catar por causa de conflito relata desespero: 'Mísseis nas nossas cabeças'

Fabrício Martins, 43, e amigos faziam conexão de dois dias no país quando ficaram presos

  • Foto do(a) author(a) Maysa Polcri
  • Maysa Polcri

Publicado em 5 de março de 2026 às 16:53

Baiano relata desespero no Catar após escalada de conflito
Baiano relata desespero no Catar após escalada de conflito Crédito: Reprodução

O empresário baiano Fabrício Martins, que está no Catar, relatou momentos de tensão após a escalada do conflito no Oriente Médio. Morador de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, Fabrício e outros brasileiros estavam em uma conexão de dois dias em Doha, capital do país, quando o espaço aéreo foi interditado. Desde o último sábado (28), o grupo segue sem saber se será repatriado ou seguirá viagem. 

Fabrício viajava com a família e colegas para a China. A viagem incluía uma conexão de dois dias no Catar, mas a situação mudou logo após a chegada do grupo. Eles perceberam que algo estava estranho no sábado (28), quando caminhavam pelas ruas da capital. Foi neste dia que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, que reagiu. 

Começamos a ver mísseis no céu que foram interceptados pelo Catar. Foi ali que tudo começou. Ficamos muito assustados

Fabrício Martins

Empresário baiano

De acordo com o empresário, um dos momentos mais tensos ocorreu quando ele estava no hotel com a família. Por volta do meio-dia, um barulho muito forte chamou a atenção do grupo. “Nós estávamos perto da janela quando ouvimos uma explosão muito forte. Quando olhei, vi uma fumaça branca. Era uma bomba que tinha sido abatida muito próximo do nosso hotel”, afirmou.

Baiano retido no Catar relata desespero após escalada de conflito por Reprodução

À noite, novas explosões voltaram a assustar o grupo. “Vi uma enxurrada de bombas em cima da gente, em cima do hotel. Foram muitas explosões. É uma coisa muito estranha, nunca pensei em passar por isso”, disse. Segundo Fabrício, ele chegou a filmar parte das explosões e também um míssil que caiu na região. “Eu filmei um míssil que não conseguiu ser abatido. Caiu aqui próximo da gente. Parece muito perto, mas disseram que estava a uns 50 quilômetros de distância”, explicou.

O grupo continua em Doha sem previsão de saída. O aeroporto permanece fechado e o espaço aéreo restrito até, pelo menos, sexta-feira (6). “Estamos aqui agora sem saber como vamos voltar para casa ou seguir para a China. Nosso voo foi cancelado e não temos nenhuma informação”, contou.

O Catar informou que os viajantes devem permanecer no hotel. Segundo o grupo, diárias e alimentação estão sendo custeadas enquanto a situação é avaliada. 

A crise começou no sábado (28), após ação militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Em resposta, o governo iraniano lançou mísseis contra bases norte-americanas na região, incluindo instalações no Catar, Emirados Árabes Unidos e Kuwait. A situação mantém o espaço aéreo restrito e gera incerteza para turistas e residentes. Ao menos 1.045 pessoas morreram no conflito, segundo informações divulgadas pelo Irã.

Enquanto espera uma solução, o baiano descreve o clima de apreensão vivido no país. “Todos os dias a gente ouve barulho de mísseis. Nunca imaginei passar por isso. Parece que estão explodindo em cima da nossa cabeça”, afirmou.