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Justiça decide manter presa mulher que participou de sequestro de vítimas no Salvador Shopping

Emile Quessia é companheira do traficante Pedro Vitor Lima Sena Souza, que ordenou e coordenou crime de dentro da prisão

  • Foto do(a) author(a) Maysa Polcri
  • Maysa Polcri

Publicado em 18 de março de 2026 às 15:42

Emile Quessia foi presa suspeita de envolvimento no crime
Emile Quessia foi presa suspeita de envolvimento no crime Crédito: Reprodução

A Justiça baiana decidiu converter a prisão em flagrante de Emile Quessia Oliveira da Silva Sena em prisão preventiva. Ela é investigada por participação no sequestro de três mulheres, no último domingo (15), no Salvador Shopping. Emile Quessia passou por audiência de custódia nesta quarta-feira (18). 

Na decisão que manteve a investigada presa, à qual a reportagem teve acesso, a juíza Mariana Alvariño Britto ressalta que Emile Quessia teria participado do sequestro por videochamada, fornecendo os dados de uma conta para receber R$ 10 mil via Pix das vítimas. O Ministério Público da Bahia (MP-BA) deu parecer favorável para que ela continuasse presa. 

A defesa de Emile Quessia, por outro lado, alegou que a polícia teria forjado a prisão em flagrante. Inicialmente, a Polícia Civil divulgou que a mulher teria sido localizada em atitude suspeita. Porém, a defesa afirma que Emile estava dormindo em casa quando foi surpreendida pela presença dos policiais. Ao analisar o caso, a juíza declarou que o flagrante foi legal. 

'Mister' teria mandado esposa sequestrar mulheres por auto-upload

"A tese defensiva de flagrante forçado ou ilegal, sob a alegação de que a investigada estava dormindo em sua residência, não encontra respaldo jurídico. Pelos relatos dos policiais, no momento em que a polícia chegou à residência da custodiada, as vítimas ainda estavam privadas de liberdade no cativeiro, tendo a autuada tentado fugir e destruir o seu próprio celular ao perceber a presença policial, o que evidencia o estado de flagrância e a tentativa de ocultação de provas", diz a decisão. 

A reportagem entrou em contato com a defesa de Emile Quessia e aguarda retorno. O mandante do crime de sequestro, segundo as investigações, é Pedro Vitor Lima Sena Souza, companheiro de Emile, que está preso. Ele revelou o  cativeiro das mulheres sequestradas em uma chamada de vídeo de dentro da cela

O casal 

Em novembro do ano passado, a Justiça baiana negou o pedido de Emile Quessia, que solicitou a devolução de um celular apreendido com Pedro Vitor durante uma investigação de tráfico de drogas. O juiz entendeu que o aparelho ainda é relevante para o andamento do inquérito.

A apreensão do celular, modelo Iphone Pro Max, foi realizada durante uma operação policial realizada com mandado de busca e apreensão. Emile Quessia apresentou nota fiscal e outros documentos para comprovar a propriedade do aparelho. A Polícia Civil disse, no curso do processo, que o celular apresentava grande quantidade de conversas com indicativos de comercialização de drogas. Por isso, defendeu que a custódia do aparelho ainda era necessária para as investigações.

O crime 

Uma idosa de 77 anos e suas duas filhas foram abordadas por criminosos e obrigadas a entrar em um carro, no estacionamento do Salvador Shopping, no Caminho das Árvores. O trio foi mantido em cativeiro em Plataforma durante 12 horas.

Durante as buscas, os policiais localizaram o veículo utilizado na ação criminosa, mas sem ocupantes. No local, peritos do Departamento de Polícia Técnica (DPT) realizaram exames para coletar vestígios que possam ajudar na identificação dos envolvidos. Imagens de câmeras de monitoramento também estão sendo analisadas.

Ainda durante as diligências, Emile Quessia teria sido abordada e o marido, preso, indicou o imóvel onde as vítimas estavam sendo mantidas em cativeiro através de chamada de vídeo. 

Em nota, o Salvador Shopping informou que a administração foi acionada por um cliente que relatou não ter localizado três familiares com quem havia combinado de se encontrar no local, na noite de domingo (15).

"Imediatamente após o relato, foi iniciada uma apuração interna e as autoridades competentes foram acionadas, passando a conduzir a investigação. A administração permanece colaborando com as autoridades para a apuração do caso", informa. Outros dos suspeitos são procurados.