Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Carol Neves
Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 13:06
A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira (20) que o presidente Donald Trump extrapolou sua autoridade ao impor aumentos massivos de tarifas sobre importações de quase todos os parceiros comerciais do país. Por seis votos a três, os ministros afirmaram que apenas o Congresso pode criar impostos e tarifas, invalidando a estratégia unilateral do chamado “tarifaço”. >
A decisão pode obrigar o governo americano a devolver até US$ 175 bilhões (aproximadamente R$ 912,5 bilhões) arrecadados com as tarifas. O caso foi movido por empresas afetadas e 12 estados americanos, em sua maioria governados por democratas, que questionaram o uso da Lei de Poderes Econômicos em Emergência Internacional (IEEPA) para criar impostos sem aprovação legislativa.>
Trump havia imposto tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros em 2025, com exceções para itens como suco de laranja, veículos, fertilizantes e produtos energéticos. Após negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, algumas taxas adicionais foram retiradas, incluindo sobre café, carnes e frutas.>
"Atalho">
A IEEPA permite que o presidente regule o comércio em situações de emergência nacional, mas a Suprema Corte reforçou que a lei não pode ser usada como “atalho” para criar impostos unilateralmente. A decisão delimita os limites do poder presidencial na política comercial americana.>
Outras leis específicas, como a Lei de Expansão Comercial de 1962 ou a Lei de Comércio de 1974, ainda poderiam ser usadas pelo presidente, mas a IEEPA não será mais um instrumento imediato para impor tarifas. O caso estabelece um precedente importante sobre a separação de poderes e sobre como futuras tarifas podem ser aplicadas.>
Para o Brasil e outros parceiros comerciais, a decisão traz previsibilidade. Produtos exportados para os EUA ficam menos sujeitos a aumentos abruptos de tarifas, e o governo americano pode ser obrigado a devolver bilhões de dólares arrecadados de forma considerada ilegal, impactando negociações comerciais futuras.>