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Monique Lobo
Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 21:23
Depois de afirmar que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quer "comandar o planeta pelo Twitter", o presidente Lula (PT) agora disse que o americano quer ser "dono da ONU [Organização das Nações Unidas]". A fala aconteceu nesta sexta-feira (23), durante visita a Salvador para o 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), no Parque de Exposições. Foi a primeira vez que o petista esteve na capital baiana este ano. >
Lula comentava sobre o cenário internacional quando iniciou a fala: "O presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, em que ele sozinho é o dono da ONU. Então, o que nós precisamos é ter em ponto a fragilidade política dos partidos do mundo hoje", disparou.>
Em seguida, revelou que procurou outros líderes mundiais para criar uma aliança em prol do multilateralismo. "Eu estou, há uma semana, telefonando pra todos os países do mundo. Já falei com muitos países. Já falei com a segunda mais importante, com [Vladimir] Putin, já falei com Xi Jinping, já falei com o primeiro ministro da Índia, com o presidente da Hungria, com a Claudia [Sheinbaum], do México. Tentando ver se é possível que a gente possa encontrar uma forma de se reunir e não permitir que o multilateralismo seja jogado pro chão pra que predomine a força da arma", falou. >
Lula ainda comentou o discurso de Trump, em Davos, onde o americano lançou seu Conselho de Paz, na última quinta-feira (22). "Toda vez que o presidente Trump fala na televisão, ele fala: 'eu tenho o exército mais forte do mundo; eu tenho os melhores aviões do mundo; eu tenho os navios mais fortes do mundo'. Ele, agora, falou em Davos: 'eu tenho armas que vocês nem sabe o poder dessa arma'", contou.>
Em seguida, revelou que, em uma disputa de poder bélico, o Brasil não tem "nada" e que as forças armadas não "nem dinheiro para comprar bala para treinar". "Eu não tenho nada. Eu tenho o Exército, a Marinha e a Aeronáutica que, muitas vezes, nem dinheiro tem para comprar bala para treinar. Então, eu não quero fazer guerra armada com os Estados Unidos, não quero fazer com a China, não quero fazer com a Rússia, nem com o Uruguai nem com a Bolívia. Eu quero fazer guerra com o poder do convencimento, com argumento, com narrativas", acrescentou. >