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Bruno Wendel
Publicado em 14 de abril de 2026 às 09:36
Enquanto a denúncia do Ministério Público da Bahia (MP-BA) aponta que Marílio dos Santos, conhecido como “Maquinista”, é um dos mandantes do assassinato da ialorixá e líder quilombola Mãe Bernadete, a defesa dele sustenta o contrário. Segundo o advogado Marcos Rudá, o cliente não é líder do Bonde do Maluco (BDM) em Simões Filho e teria sido incluído no processo por conta da “fama”. >
“É inegável a ficha criminal dele. Inclusive, ele já era foragido, procurado por outros delitos, quando Mãe Bernadete foi morta. Então, acreditamos que ele foi incluído por causa da ‘fama’, de sua extensa ficha criminal”, declarou Rudá, momentos antes de chegar ao Fórum Ruy Barbosa, nesta terça-feira (14), segundo dia do julgamento.>
Julgamento do Caso Mãe Bernadete acontece no Fórum Ruy Barbosa
Em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, Mãe Bernadete liderava o Quilombo Pitanga dos Palmares. Ela foi morta na noite de 17 de agosto de 2023, quando homens armados invadiram a comunidade, fizeram familiares reféns e a executaram a tiros dentro de casa. Segundo a denúncia, a vítima foi atingida por 25 disparos por não aceitar a permanência da facção no quilombo.>
Questionado sobre a acusação do MP-BA de que a decisão pela execução também teria partido de “Maquinista”, o advogado disse que “desconhece”. “Não se pode atribuir tudo a ele. Nós desconhecemos que ele seja liderança ou que tenha dado a ordem. Não há elementos condenatórios para isso”, afirmou.>
Nesta segunda-feira (13), o primeiro dia de julgamento foi marcado por um atraso de três horas. Foram ouvidas três testemunhas: o delegado responsável pela investigação, o principal agente do caso e o filho da líder quilombola, Jurandir Pacífico.>
“Foi satisfatório. A sessão foi conduzida muito bem pela juíza Gelzi Maria, e hoje teremos os debates”, avaliou Rudá, que pretende convencer os sete jurados da inocência do cliente em um dos casos mais letais e marcantes de violação de direitos humanos dos últimos anos no Brasil.>