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Ele vende quiabo desde os 13 anos e virou lenda em Salvador

Arnaldo Pereira é conhecido como o “Rei do Quiabo” na Feira de São Joaquim. Há 45 anos, se dedica exclusivamente à venda do vegetal e conquista fregueses fiéis com carisma e tradição

  • Foto do(a) author(a) Maria Raquel Brito
  • Maria Raquel Brito

Publicado em 19 de setembro de 2025 às 10:06

Arnaldo Pereira, o
Arnaldo Pereira, o "Rei do Quiabo" da Feira de São Joaquim Crédito: Maria Raquel Brito/CORREIO

Quem anda pela Feira de São Joaquim em busca de quiabos, não precisa procurar muito. Dezenas de vendedores exibem a hortaliça em suas barracas, ao lado de pimentas, tomates, chuchus e folhas de todos os tipos. Mas, neste universo, uma dessas barracas se destaca em meio ao colorido das outras: lá, só há espaço para o verde dos quiabos.

Tem sido assim há 45 anos para Arnaldo Pereira. O permissionário de 58 anos trabalha exclusivamente com o vegetal desde que chegou na feira, ainda adolescente, o que lhe rendeu o título de “Rei do Quiabo”, que passou a nomear também a sua banca. Hoje, conta que responde mais pelo apelido que pelo nome de nascença. “Meu nome por aqui já é esse. Todo mundo conhece o Rei do Quiabo”, comenta.

A história de Arnaldo com as vendas começou cedo. Diferente do que acontece em muitos outros casos dos feirantes que comandam São Joaquim, com ele não foi coisa de família. Começou a trabalhar por lá aos 13 anos, assim que chegou em Salvador vindo de Saubara, a 98km da capital, com a mãe e os muitos irmãos. O plano era estudar, mas sentia que precisava ajudar a matriarca a cuidar da família.

Nessas mais de quatro décadas, já passou pelas mais altas estações e por períodos de movimento fraco. Todo mês de setembro, por exemplo, vê as vendas saltarem por conta das homenagens a Cosme e Damião. Mas, nos altos e baixos, o protagonista das suas vendas continuou o mesmo. “Nunca me acostumei com mais nada. Pode vir a festa que for, São João, Semana Santa, mas minha mercadoria é sempre o quiabo. Já saí daqui, voltei e continuo sempre assim. Eu tenho o meu cliente do dia a dia”, diz.

Segundos depois, uma freguesa se aproxima e fala animadamente com ele, comprovando a afirmação. “Ela já tinha uns dias sem vir aqui, mas quando aparece só vem na minha barraca”, conta, enquanto a moça se afasta com seus quiabos recém-comprados. O segredo, para ele, é sempre estabelecer uma boa relação. Quando pisa no chão da feira, é como se qualquer problema da sua vida pessoal não existisse mais.

“Às vezes o cliente chega para comprar e o vendedor está com a cara fechada. Aqui, não. Nós fazemos amizade. Aqui é meu trabalho, não trago para cá os problemas que acontecem comigo. Não é bom isso?”, reflete.

Os acenos e cumprimentos amigáveis de clientes se repetem de domingo a domingo, da hora que seu Arnaldo chega na feira, no nascer do sol, até o fim da tarde, quando vai embora. O trajeto da sua casa em Plataforma até o Comércio já virou quase automático para ele, que não consegue ficar longe do movimento de São Joaquim.

“Não consigo ficar em casa. Nem que eu venha 11 horas da manhã e vá embora rápido, eu tenho que estar aqui todos os dias. Pretendo me aposentar daqui a pouco, mas mesmo assim não vou conseguir deixar a feira, não”.

Nas férias, porém, é outra história: quando viaja com a esposa, não quer saber de trabalho. A feira sai de sua mente num passe de mágica. “Quando saio de férias, a feira para mim não existe. Sai da minha mente. Deixo a barraca com meu primo ou meu filho, que os clientes já conhecem, e fico despreocupado”, diz.

Depois de todo esse tempo, quem conversa com seu Arnaldo pode imaginar que ele, de tanto olhar para os quiabos, não os queira mais no próprio prato. Mas, muito pelo contrário. Até hoje, ele adiciona o vegetal em toda refeição que pode, do café da manhã até o jantar – para o desespero da esposa, que gosta menos que ele.

“Até puro com arroz é bom, mas adoro no escaldado de peixe, porque se não tiver um quiabo, não é escaldado. Com caranguejo também e até na moqueca fica ótimo. Coloca uns inteiros, retinhos, em cima, fica uma delícia”, explica. “Eu gosto de quiabo de qualquer jeito, até cru eu como. Se eu pudesse, comia todos os dias”.