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Nauan Sacramento
Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 05:30
A disputa pela faixa de areia na praia do Porto da Barra, em Salvador, ganhou um novo capítulo com a implementação da lei municipal que proíbe a colocação de sombreiros, cadeiras ou outros itens do “kit de praia" sem pedido prévio dos clientes, no último dia 8. Cinco dias após a alteração da regra, como está a ocupação na praia mais famosa da capital baiana? O CORREIO esteve no local, na manhã desta segunda-feira (12), para conferir o que mudou por lá. >
A diferença é notável, especialmente para quem chega cedo. Antes, era preciso driblar cadeiras e sombreiros, muitas vezes vazios aguardando por banhistas. Agora, sobra espaço para circular livremente entre os kits. A passagem vai ficando mais apertada ao longo do dia, com o aumento do número de banhistas no local. >
Veja como ficou o Porto da Barra após a nova lei dos kits de praia
A transformação fica ainda mais visível quando se caminha um pouco mais em direção às praias vizinhas. Na do Farol, a faixa de areia já estava toda loteada por cadeiras e sombreiros desde o início do dia, mesmo sem clientes ocupando os equipamentos. >
Entre os frequentadores do Porto, a opinião é unânime: a mudança foi aprovada. “Eles ocupavam muito espaço, agora só colocam quando tem cliente. Eu vim hoje rapidamente, então para mim não vale pagar por um kit”, avalia Laila Michelle, moradora do bairro do Doron, também em Salvador. >
Turista de Minas Gerais, Victor Ribeiro também comemora: “Eu vejo que fica uma faixa de areia livre, existe espaço, coisa que antes era tomada por guarda-sóis”, recorda. >
A maré muda, no entanto, quando os barraqueiros falam sobre a nova lei. Profissional desse ramo há 40 anos, Antonio Cerqueira é taxativo: “É um absurdo”. Para ele, a mudança dificulta as vendas e impacta no seu rendimento. “Todo mundo precisa ganhar o próprio pão. Não temos ajuda no inverno, logo, é no verão que a gente consegue o dinheiro para o ano todo”, afirma.>
Ana Paula Moreira, barraqueira há 12 anos, tem a mesma opinião. “Fica desproporcional, tanto para a gente quanto para o banhista. O cliente chega e pede a informação do kit, quando não colocamos, fica uma praia morta, não atrai gente. Está horrível para a gente”, fala. >
Mas, há quem veja o copo meio cheio. Para Amanda Miranda, barraqueira há 12 anos, o cenário não é o que ela escolheria, mas nem de longe é negativo. “Para mim, isso está perfeito. Acredito que a praia não tem dono, é um espaço público. As pessoas que chegam de canga têm direito ao espaço delas. Eu gostaria que no lugar da proibição houvesse uma limitação de quantidade, mas como está, para mim, também está bom”, celebra. >
A Prefeitura de Salvador está fiscalizando o cumprimento da nova lei através da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop). Em nota, o órgão informou que “intensificou a fiscalização” para “garantir o uso democrático da faixa de areia, preservar o ordenamento do espaço público e assegurar os direitos dos banhistas”. >
O projeto de lei 9.928/2026 determina que o kit de praia seja colocado na praia somente após o pedido do cliente pelo serviço de aluguel dos equipamentos. O texto ainda acrescenta que, se os kits forem instalados sem solicitação de usuários, “seu uso será considerado gratuito, sendo vedada a cobrança de qualquer valor, inclusive taxas de consumação”. >
Aqueles que descumprirem estarão sujeitos à penalidades como advertência, multa, apreensão dos materiais e até a suspensão da permissão ou concessão. Se o banhista encontrar alguma irregularidade pode acionar a prefeitura através do canal Fala Salvador, pelo número de telefone 156. >