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Quem é Isabel Tinel, a primeira mulher batedora da Transalvador

Primeira atuação de Isabel pelo Grupo de Ações Rápidas no Trânsito (GART) foi no início deste ano

  • Foto do(a) author(a) Maria Raquel Brito
  • Maria Raquel Brito

Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 06:30

Isabel Tinel
Isabel Tinel Crédito: Bruno Concha/Secom PMS

Quando Isabel Tinel escolheu a carreira que seguiria, um ponto crucial foi a possibilidade de se manter em movimento. Foi com esse pensamento que virou agente da Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador), há cinco anos. Mas logo descobriu que desejava ir além: queria ser batedora no Grupo de Ações Rápidas no Trânsito (GART) de Salvador, seleto grupo responsável pelas escoltas oficiais, formado por pouco mais de 20 profissionais – até então, todos homens. Assim fez. Depois de quase três anos de treinamentos e cursos, a mulher de 30 anos tornou-se, no início deste ano, a primeira e única figura feminina no grupo.

O trabalho do GART se divide em duas frentes: o patrulhamento, com foco na identificação de situações que possam comprometer a fluidez do tráfego, e a escolta, que envolve o acompanhamento de autoridades pelas ruas da capital baiana. A chance de rodar Salvador sobre duas rodas animou Isabel, mesmo sabendo que teria um longo caminho a desbravar.

Isabel Tinel por Bruno Concha/Secom PMS

“Com o tempo na instituição, eu conheci o trabalho dos motociclistas, vi que era um trabalho mais dinâmico e me interessei. Algumas pessoas chegaram para mim e perguntaram: ‘por que você não tira habilitação para moto? Você tem o perfil’. Falaram que havia tido uma motociclista na instituição apenas, mas já tinha muito tempo e ela ficou por pouco tempo como motociclista”, conta.

Quando se aprofundou na atuação do GART, Isabel só tinha a habilitação tipo B, para carros de passeio. Fascinada pelo trabalho do grupo, não perdeu tempo e logo foi atrás da habilitação específica para motocicletas. “Eu já tirei a habilitação meio que mirando esse objetivo. Eu sei que esse grupo é muito fechado, muito pequeno, mas falei: ‘quem sabe não surge uma oportunidade no futuro, eu quero estar pronta para estar ali’.”

De 2023 para cá, praticou por dias e noites, dentro e fora de seu horário de trabalho. A agente conta que geralmente o curso acontecia uma vez por semana, mas ela fazia questão de ir duas ou três, até se habituar à motocicleta.

“As pessoas geralmente eram chamadas para o curso, mas sempre dentro do horário de trabalho. As pessoas não iam fora do horário de trabalho porque era uma coisa fornecida pela instituição para a própria função. Eu ia além porque estava realmente interessada em aprender e me aperfeiçoar”, diz.

Nesse processo, ouviu muitos comentários misóginos disfarçados de preocupação. Mesmo sem intenção, as falas deixaram nela, por vezes, a impressão de que talvez aquele não fosse seu lugar. Mas as dúvidas não duraram muito.

“Eu já ouvi: ‘ah, porque não é seguro’. Aí eu perguntava: ‘mas qual é a diferença? Porque pra homem é seguro e pra mim não é?’, e diziam que estavam pensando na minha segurança. Quem tem que pensar na minha segurança sou eu. Se eu estou disposta a fazer aquele serviço, é o que importa”, afirma.

Isabel afirma que o apoio recebido dentro da própria instituição tem sido fundamental para sua trajetória profissional. O incentivo e os elogios, no entanto, não se limitam aos colegas de farda. “Entre os colegas, o retorno é muito positivo. Foram eles que me incentivaram a tirar a habilitação. Como mulher, recebo muitos elogios. É difícil ver mulheres na motocicleta, ainda mais com agilidade no trânsito. A maioria dos motociclistas ainda é composta por homens, mas as mulheres estão se inserindo cada vez mais.”

A primeira atuação de Isabel ocorreu durante a Lavagem do Bonfim deste ano, quando ficou responsável por garantir que as autoridades chegassem com segurança e sem atrasos à Colina Sagrada. O nervosismo foi inevitável. Mal dormiu na noite anterior, com medo de perder o horário.

“Eu sempre ouvi muito na teoria, mas a prática nunca tinha acontecido. Então, quando eu cheguei e a gente traçou o itinerário até o destino da do prefeito, fiquei pensando: ‘meu Deus, e se eu perder uma rua? E se eu fechar a rua errada? E se eu me perder no caminho?’ Muitos ‘e se’, cheia de incertezas. Mas no fim deu tudo certo e já ficou a vontade da próxima festa”, completa.