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Maria Raquel Brito
Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 05:30
Era madrugada quando o cantor Jota.pê recebeu uma ligação inesperada. Do outro lado, a voz de João Gomes veio com um convite: “o que você vai fazer semana que vem? Vem aqui em casa, eu vou gravar um negócio e chamei o Mestrinho”, disse o artista pernambucano. O encontro dos três artistas foi certeiro. A gravação descontraída, que previa quatro músicas, acabou gerando 12. Dessa tarde nasceu o projeto Dominguinho, que rendeu aos três um Grammy Latino e casas de show lotadas Brasil afora. “Depois de várias reuniões, a gente decidiu colocar o nome Dominguinho, para fazer uma alusão ao domingo maravilhoso e ensolarado que a gente gravou, e também ao mestre Dominguinhos, discípulo de Gonzaga, mestre da nossa música brasileira”, conta Mestrinho. >
Dominguinho desembarca em Salvador neste sábado (24)
Neste sábado (24), a parada do trio é no Festival de Verão, onde apresentarão Dominguinho para o público soteropolitano. Ao CORREIO, os três falaram sobre a influência do forró em suas vidas e a sensação de voltar para Salvador com um projeto tão simbólico. Confira:>
1. O forró é uma parte forte da identidade nordestina e um patrimônio do Brasil. Em Dominguinho, vocês reforçam isso, sendo três amigos de diferentes lugares do Brasil que se juntaram para celebrar a música popular e o “forró raiz”. Qual a relação de vocês com o forró e como ele moldou os artistas que são hoje?>
João Gomes: O forró faz parte da minha vida desde sempre. Cresci ouvindo, vivendo isso. Ele me ensinou a cantar com verdade, a respeitar a história e a emoção de quem escuta.>
Mestrinho: Eu nasci numa família de forrozeiros. Meu pai, Erivaldo de Carira, toca sanfona, meu avô tocava oito-baixos, então a minha relação com o forró vem de berço, o forró tá enraizado em mim. Eu já cresci ouvindo Luiz Gonzaga, Dominguinhos e tantos outros mestres do forró. Nossa rainha Marinês do Xaxado. Nasci no forró, no forró me criei, no forró vou continuando a vida.>
Jota.pê: O forró salvou minha vida algumas vezes. Bem no meu início de carreira, eu conheci um cara que tinha uma escola de forró, ele me chamou para conhecer. Na época, eu não tocava em lugar nenhum, tinha apenas o sonho de viver disso, mas nem tinha largado os outros trabalhos para viver de música. E foi esse público desse trabalho que começou a me abraçar, que ouvia minhas músicas e ia para os shows e pagava os ingressos. E essa galera que abraçou meu trabalho, então, eu peguei gosto pelo forró, comecei a conhecer muito mais e peguei um amor pelo gênero todo. Comecei a conhecer mais coisas, comecei a compor meus primeiros xotes e agora, com Dominguinho, parece que inicia um novo ciclo do forró na minha vida.>
2. O que significa para vocês o alcance do Dominguinho, que vem conquistando públicos diversos e reconhecimentos como o Grammy Latino?>
João Gomes: É emocionante demais. Ver pessoas se conectando com o projeto mostra a força da música feita com coração.>
Mestrinho: Com certeza, o Dominguinho vem furando bolhas. Eu também me deparei com várias pessoas que falaram que amaram o álbum e “olha que eu nem gostava de forró, viu? Mas vocês estão me fazendo ouvir bastante”, “eu amei o álbum de vocês”. A gente tá trazendo amante de todos os gêneros para curtir nosso forró, para curtir o Dominguinho. A gente vem agradando muita gente, graças a Deus. Conseguimos conquistar o Grammy Latino e muitos outros prêmios com esse álbum maravilhoso que só nos dá alegria.>
Jota.pê: É muito bonito ver a cultura brasileira sendo valorizada pelo Brasil, porque parece uma coisa óbvia, mas não é. Então é muito bacana quando a gente percebe que algo nosso tá, de fato, alcançando as pessoas, sendo valorizado pelas pessoas e celebrado pelas pessoas que fazem total parte daquele universo. Óbvio, “total parte” também não, porque, ao mesmo tempo, o país é continental, mas é nosso, o forró é nosso, e é muito bonito quando a gente percebe que o país abraça algo que é tão próprio.>
3. Como tem sido a recepção do público durante a turnê? Tem um gostinho especial trazer esse projeto para cidades nordestinas?>
João Gomes: A recepção é linda em todo lugar, mas no Nordeste é diferente. É casa. O público canta, sente, vive aquilo junto com a gente.>
Mestrinho: A resposta é maravilhosa. O público todo canta nossas músicas do início ao fim. Teve gente que cantou no começo do show sem a gente nem ter entrado no palco ainda, já começaram a cantar a primeira música do álbum, que é “Lembrei de Nós”. Enfim, o público recebe a gente calorosamente e é uma festa danada a cada show. Todo mundo sai satisfeito, elogiando bastante, então a gente tá muito feliz. A gente já levou o projeto a muitas capitais nordestinas, como Fortaleza, João Pessoa, Maceió e tantas outras também. E a gente ainda quer levar para mais capitais, para mais cidades nordestinas, com certeza, porque para a gente é uma honra tocar também no Nordeste, tocar no nosso Brasil e principalmente no nosso Nordeste, que é o pai do forró.>
Jota.pê: Para mim, com certeza. Porque por mais que o forró seja brasileiro, ele primeiro é nordestino, né? Então, ver a alegria, a interação, a identificação das letras, a galera conhece realmente o repertório que está no Dominguinho. Enquanto o repertório às vezes é novidade para o povo de Porto Alegre, de São Paulo, do Rio, para a galera do Nordeste, em grande maioria, as pessoas cresceram ouvindo aquelas músicas. Então, é muito bonito ver essa identificação no olho, na emoção de todo mundo que tá vendo o show.>
4. Vocês três já cantaram em Salvador antes. Qual a sensação de voltar agora, em trio, para apresentar o projeto Dominguinho?>
Mestrinho: Já toquei inúmeras vezes em Salvador e é sempre um gostinho maravilhoso, é sempre bom, cada vez que eu volto é diferente e é caloroso. A galera de Salvador é bem receptiva e a gente vai voltar a Salvador para fazer o Festival de Verão com o Dominguinho, nós três agora juntos, pela primeira vez, um Dominguinho em Salvador e a gente tá super feliz, super ansioso porque sabe que Salvador é quente, o povo é quente e a gente sabe que vai ser uma conexão única.>
Jota.pê: Salvador é uma das cidades que eu mais amo no mundo, sempre amo tocar aqui, a recepção do público é sempre diferente, muito especial. Então, estou muito empolgado para fazer show aqui.>
5. O que o público soteropolitano pode esperar do show no Festival de Verão?>
Mestrinho: Pode esperar muita festa, que a gente vai fazer no palco. A gente vai tocar como se estivesse no quintal de casa, tocando para amigos, e vamos fazer todo o nosso repertório do álbum Dominguinho e algumas coisas também que a gente adicionou no show, algumas coisas bem maravilhosas, para cima, que eu tenho certeza que vai energizar o público soteropolitano, o público da Bahia. Que seja uma troca linda de muita energia, que eu acho que vai ser, com certeza. Então, a gente pode esperar um Dominguinho muito caloroso, muito energético, cheio de ondas sonoras que vão emocionar toda essa galera.>