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Millena Marques
Publicado em 8 de março de 2026 às 05:30
Há cerca de três décadas, imensos vazios urbanos marcavam a paisagem de uma das principais avenidas de Salvador. Inaugurada na década de 1970, a Avenida Luís Viana Filho, conhecida como Avenida Paralela, é a segunda maior avenida da cidade, com 18 quilômetros — atrás apenas da Avenida Aliomar Baleeiro, a Estrada Velha do Aeroporto, que tem 20. Antes de ganhar densidade urbana ao redor, áreas de vegetação da Mata Atlântica predominavam ao longo do trajeto. >
“A avenida funcionava quase como um corredor de passagem entre duas realidades urbanas. Era a cidade e o aeroporto. Naquele período, os pontos construídos eram relativamente isolados. Existiam alguns conjuntos habitacionais, instituições públicas e poucos centros comerciais”, explica o historiador Ricardo Carvalho, mestre em Educação pela Universidade Federal da Bahia.>
Paralela há 30 anos
Quando foi planejada, a Avenida Paralela tinha uma função estratégica dentro do projeto de modernização urbana de Salvador. Ela foi concebida como um eixo estruturante de mobilidade, ligando a região central da cidade ao aeroporto e ao chamado miolo urbano, facilitando o deslocamento e abrindo novas frentes de ocupação.>
Do ponto de vista urbanístico, segundo o historiador, a ideia era criar um corredor de expansão planejado, capaz de aliviar a pressão sobre as áreas mais antigas da cidade. “A Avenida Paralela representava uma aposta de crescimento futuro de Salvador, funcionando como um vetor de desenvolvimento capaz de reorganizar o território urbano da cidade”, explica.>
O crescimento imobiliário e comercial da Paralela ao longo dos anos foi impulsionado por uma combinação de fatores. Entre eles, a grande disponibilidade de áreas e a localização estratégica entre diferentes regiões de Salvador, o que tornou a área extremamente atrativa para investidores, incorporadores e comerciantes.>
A instalação de universidades, centros empresariais, shoppings e grandes condomínios criou um efeito de retroalimentação urbana. Ou seja, os serviços passaram a atender principalmente os próprios moradores da região. “Cada novo empreendimento ampliava a circulação de pessoas e serviços, estimulando ainda mais a ocupação e a consolidação da Avenida Paralela como um dos principais eixos de desenvolvimento de Salvador”, continua.>
Para o historiador, a velocidade de transformação do território ao redor da Paralela é surpreendente. “Me impressiona a intensidade e a rapidez com que ocorreu essa transformação nos últimos 30 anos. Em poucas décadas, um corredor marcado por grandes vazios se converteu em uma das áreas mais dinâmicas da cidade”, afirma.>
“Essa mudança revela que a cidade avançou em direção a novas centralidades. A Paralela deixou de ser apenas uma via de ligação e passou a funcionar como um verdadeiro eixo urbano, vivo, pulsante e ativo”, finaliza Carvalho.>