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Nauan Sacramento
Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 18:51
A turista gaúcha que foi presa em flagrante por injúria racial ao cuspir e agredir verbalmente uma atendente negra, na última quarta-feira (21), foi solta após audiência de custódia, nesta sexta-feira (23). Além da cusparada, Gisele Madrid Spencer César foi acusada pela vítima, a funcionária de um bar no Pelourinho Hanna Rodrigues dos Santos Lopes, de tê-la chamado de "lixo". >
Na decisão que o CORREIO teve acesso, o juiz determinou a liberdade provisória seguindo o pedido do Ministério Público da Bahia (MP-BA) que sugeriu apenas medidas cautelares e encaminhamento da turista a cursos sobre educação racial. "Tanto a autoridade policial quanto o Ministério Público não postularam a decretação da custódia cautelar da detida, tendo o órgão ministerial se posicionado pela adoção, no caso, de providências substitutivas da prisão", apontou o juiz Maurício Albagli Oliveira, da 2ª Vara de Garantias de Salvador. >
Auto de Prisão em Flagrante
Entre as medidas cautelares determinadas estão: manter distância mínima de 300 metros da vítima e das testemunhas; não frequentar a Praça das Artes, no Pelourinho, por 12 meses; comparecer bimestralmente ao tribunal, de forma virtual, para justificar suas atividades pelo período de um ano; e não se ausentar de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, sua cidade de origem, por mais de dez dias sem autorização judicial nos próximos seis meses.>
Em seu depoimento, a turista negou as ofensas raciais e disse que foi alvo de ataques dos funcionários do bar porque pediu gelo para seu suco e não foi atendida, recebendo auxílio de outra cliente. "O que causou descontentamento nas funcionárias que anteriormente tinham negado o gelo. [...] Foi quando, aproximadamente, sete funcionárias do bar saíram seguindo a interrogada, inclusive a que chegou aqui acusando a interrogada de ter lhe agredido", falou. Ela ainda afirmou que teria sido vítima de racismo "e que tudo aconteceu por causa de sua cor".>
A vítima, no entanto, detalhou o que aconteceu. Segundo Hanna, a mulher já estava ofendendo outros colegas quando ela passou por perto. "A mulher, apontando para ela, disse que ali ia mais um 'lixo', a declarante retrucou dizendo que estava trabalhando e não era lixo. A mulher, batendo no braço, se dizia branca e que a declarante era lixo", contou em seu depoimento. Ela também revelou que a turista deu uma cusparada que atingiu o seu pescoço. >
Quem também prestou depoimento foi o policial civil, Savio Tadeu do Rio Checcucci, que descreveu o momento em que a turista chegou na delegacia. "Enquanto os policiais se dirigiram para a sala onde a autoridade policial se encontrava, a referida senhora, posteriormente identificada como Gisele Madrid Spencer Cesar, olhou para o depoente e disse que queria ser atendido por um delegado branco", narrou. >
A defesa de Gisele chegou a questionar a legalidade da prisão em flagrante. Mas, em sua decisão, o juiz entendeu que, diante dos depoimentos e dos elementos colhidos, todos os requisitos necessários tinham sido cumpridos.>