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Fernanda Varela
Publicado em 2 de maio de 2026 às 07:41
A prisão de um homem de 22 anos suspeito de abusar sexualmente de uma menina de 12 anos em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, trouxe um misto de alívio e dor para a família da vítima. O caso ganhou repercussão após a descoberta dos abusos a partir de mensagens enviadas pela criança a um aplicativo de inteligência artificial.>
“Ontem era choro de agonia, de saber que ele fez tudo aquilo com ela e estava em liberdade. Hoje a gente ainda está chorando, ainda tem dor, tem sofrimento, mas um pouco mais aliviado”, afirmou a mãe da menina à RPC, afiliada da Globo no Paraná.>
Assédio, abuso e estupro devem ser denunciados no 180
Segundo as investigações, o suspeito era noivo da tia da vítima e os abusos começaram em dezembro de 2025, quando a menina tinha 11 anos. A situação foi descoberta no último sábado (25), depois que a família encontrou uma pergunta feita pela criança na plataforma de IA, em que ela questionava se “não estaria atrapalhando o casamento da tia”.>
A resposta do aplicativo indicava que a responsabilidade não era da criança, o que ajudou a levantar o alerta entre os familiares. Após isso, também foram encontradas mensagens enviadas pelo suspeito à vítima com teor sexual. “Na hora, eu já confrontei ele. Ele me pediu para parar de fazer escândalo, que minha mãe ia acordar”, relatou a tia da menina.>
O homem chegou a ser preso em flagrante no domingo (26), mas foi solto horas depois, após manifestação do Ministério Público favorável à soltura e decisão judicial que entendeu que ele não apresentava risco. A família contestou a decisão, alegando medo, já que o suspeito mora próximo e conhece a rotina da vítima.>
“É inadmissível a minha filha se sentir coagida, se sentir presa dentro de casa. Quando a gente soube que ele foi solto, até então, antes das 11 da manhã, ela queria ir pra aula. Depois ela não quis mais ir porque ele mora muito próximo. Como ele confessa o ato e não é um perigo para a sociedade? Ele já foi um risco para minha filha”, disse a mãe.>
Quatro dias depois, o Ministério Público voltou atrás, denunciou o homem por estupro de vulnerável e solicitou a prisão preventiva. A Justiça acatou o pedido nesta sexta-feira (1º).>
O relato da família também evidencia o impacto emocional causado na vítima. “Ela é tão inocente que ela disse: ‘Tia, ele pode viver a vida dele fora daqui, é só ele nunca mais me ver’. Ela tem dó dele, porque ele conseguiu fazer um estrago inimaginável na cabeça dela. Ela ainda se sente culpada, e essa culpa foi ele quem colocou na cabeça dela”, afirmou a tia.>
De acordo com a investigação, o suspeito também teria ameaçado a menina para impedir que ela revelasse os abusos. Após ser confrontado, ele foi agredido por moradores e a Guarda Municipal foi acionada. O boletim de ocorrência aponta ainda que a vítima relatou os abusos e que o homem confessou o crime aos agentes.>
A delegada responsável informou que ele foi indiciado por estupro de vulnerável de forma continuada e também por ameaça. Pela legislação brasileira, qualquer relação com menores de 14 anos é considerada crime, independentemente de consentimento.>
A vítima está recebendo acolhimento e acompanhamento com apoio da família.>