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Polícia indicia e pede prisão de donos de academia onde aluna morreu após passar mal na piscina

Inquérito aponta possível liberação de gases tóxicos e quatro pessoas seguem internadas

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Foto do(a) author(a) Estadão
  • Carol Neves

  • Estadão

Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 08:35

Juliana Bassetto passou mal e morreu
Juliana Bassetto passou mal e morreu Crédito: Reprodução

O indiciamento dos três sócios da academia C4 Gym, em São Lucas, na zona leste de São Paulo, foi confirmado pela Polícia Civil nesta quarta-feira (11). Eles vão responder por homicídio após a morte da professora Juliana Bassetto, de 27 anos, ocorrida depois de um mal-estar durante aula de natação realizada no último sábado (7).

De acordo com as investigações, a principal suspeita é de que frequentadores da piscina tenham sido expostos a gases tóxicos formados durante a limpeza do espaço. Além da professora, outras quatro pessoas que participaram da atividade precisaram de atendimento médico e permanecem hospitalizadas.

Os empresários César Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração prestaram depoimento à polícia ao longo do dia. Até o momento, eles não se manifestaram publicamente sobre o caso.  

Casal passou mal após entrar em piscina por Reprodução

Segundo o delegado Alexandre Bento, responsável pelo inquérito no 42º Distrito Policial, além de falhas no atendimento às vítimas, houve tentativa de alterar a situação do local após o ocorrido. "No mesmo momento em que os médicos declaravam o óbito de Juliana em um hospital no ABC Paulista, um dos sócios orientava um funcionário a comparecer à empresa a fim de tentar dissipar os gases e descaracterizar a cena do crime", afirmou o delegado no pedido de indiciamento enviado ao Ministério Público.

A manipulação dos produtos utilizados na piscina era realizada por um funcionário sem formação técnica específica para a função. Em depoimento, Severino Silva, de 43 anos, afirmou que recebia instruções dos próprios proprietários sobre quais produtos usar e em quais quantidades, por meio de mensagens enviadas pelo celular.

A polícia ainda aguarda a conclusão de exames periciais, incluindo o laudo necroscópico da vítima e análises químicas da água e dos produtos utilizados, que devem confirmar oficialmente a causa das intoxicações e da morte.

A hipótese mais provável é que tenha ocorrido combinação inadequada de substâncias à base de cloro, seja entre marcas diferentes ou com produtos incompatíveis, provocando reação química tóxica.

O relatório policial aponta ainda que "Os relatos colhidos indicam a inadequação na utilização de cloro em quantidades excessivas, por pessoas sem habilitação profissional ou conhecimento técnico, empregada de forma consciente e deliberada pelos sócios da empresa C4 Gym, visando exclusivamente à vantagem financeira (lucro)".

Ainda conforme a investigação, após o incidente os responsáveis não teriam prestado auxílio às vítimas e teriam priorizado o fechamento do estabelecimento.

"Pelo contrário, buscaram preservar a empresa e dificultar as investigações, na medida em que simplesmente orientaram os funcionários a fecharem a empresa e deixarem o local", registra o delegado.

O documento acrescenta que, ao não contratar profissionais qualificados para o manejo dos produtos químicos, os empresários assumiram o risco de um desfecho fatal ao priorizar a redução de custos operacionais.

Caso leva autoridades a investigar funcionamento da rede

Após o episódio, o Ministério Público de São Paulo abriu inquérito civil para analisar a situação das academias que operam sob a marca C4 Gym no estado. A rede funciona por meio de franquias.

A Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo busca verificar se unidades estariam em funcionamento sem o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), documento que certifica o cumprimento das exigências de segurança contra incêndio e pânico.

O promotor Marcus Vinicius Monteiro dos Santos solicitou à empresa uma relação completa das unidades, identificação dos franqueados e esclarecimentos sobre a regularidade das operações.

Em nota, o MP informou que "Segundo informações preliminares constantes da portaria, a empresa opera por meio de sistema de franquias, havendo indícios de que algumas unidades funcionariam sem o devido AVCB".

A unidade onde ocorreu o caso acabou interditada pela Subprefeitura de Vila Prudente, que apontou problemas de segurança e ausência de licença de funcionamento. Também foi constatada a existência de dois CNPJs vinculados ao endereço.

Conforme destacou o delegado responsável pelo caso, "É uma situação nebulosa. Há dois CNPJs no local. Um apresenta e o outro não".

As investigações seguem em andamento.