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Manobrista de academia onde aluna morreu revela que recebia instruções de manutenção da piscina por mensagem

Funcionário relatou que acumulava funções e não tinha capacitação adequada para manutenção da piscina

  • Foto do(a) author(a) Elaine Sanoli
  • Elaine Sanoli

Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 21:10

Juliana Faustino Bassetto morreu após entrar em piscina
Juliana Faustino Bassetto morreu após entrar em piscina Crédito: Reprodução/TV Globo

Nesta terça-feira (10), o manobrista responsável pela manutenção da Academia C4 Gym, onde uma mulher morreu durante uma aula de natação, prestou depoimento. O caso também deixou outras pessoas intoxicadas: o marido da jovem permanece internado em estado grave, um adolescente de 14 anos está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e duas vítimas já receberam alta. O estabelecimento funcionava sem alvará e foi interditada neste domingo (8) pela Vigilância Sanitária.

Identificado como Severino José da Silva, o funcionário foi ouvido pela manhã, segundo informações do portal G1 SP, e relatou que trabalha no local há cerca de três anos. Ele afirmou que, embora tivesse registro formal como manobrista, acumulava funções, sendo responsável também pela abertura e fechamento da unidade, além da manutenção da piscina.

Casal passou mal após entrar em piscina por Reprodução

Para desempenhar as atividades, ele disse nunca ter recebido capacitação específica e que as orientações eram repassadas pelo proprietário por meio de um aplicativo de mensagens. Também declarou que não recebeu Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para manusear produtos químicos.

Segundo o relato, após medir o nível da água, ele enviava uma foto ao dono, que indicava os procedimentos e os produtos a serem utilizados. Na quinta-feira (5), percebeu que a água estava turva e, após orientação, aplicou cloro na sexta-feira (6), depois das aulas. No sábado (7), dia do incidente, a água continuava turva e o proprietário teria orientado nova testagem e a aplicação de HIDROALL Hiperclor 60.

Severino preparou a solução, mas não chegou a despejá-la na piscina. O produto permaneceu em um balde próximo ao local. Pouco depois, ele afirmou ter sentido um cheiro forte, além de irritação na garganta e nos olhos. Em seguida, viu a mulher passar mal na recepção.

O funcionário relatou ainda que entrou em contato com o proprietário ao perceber que outras pessoas também apresentavam mal-estar por causa do odor, mas só recebeu resposta quando a academia já havia sido evacuada. “Paciência”, teria dito o dono. Os responsáveis pela academia também irão ao 42° Distrito Policial do Parque São Lucas prestar depoimento nos próximos dias.

Em nota, a academia lamentou a morte de Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, e informou que prestou atendimento a todos os afetados, mantendo contato com os envolvidos para oferecer suporte. “Estamos conduzindo uma rigorosa apuração interna e também colaborando com as autoridades competentes e com a investigação. Reforçamos nosso compromisso com a transparência junto aos nossos clientes, colaboradores, parceiros e autoridades”, afirmou a gestão.