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Carol Neves
Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 12:23
O síndico Cleber Rosa de Oliveira, de 49 anos, preso após confessar o assassinato da corretora Daiane Alves Souza, de 43, concedeu isenção da taxa de condomínio referente ao mês de dezembro aos moradores do prédio onde ambos viviam, em Caldas Novas, no interior de Goiás. Posteriormente, ele reclamou, em um áudio enviado ao grupo de moradores, da falta de reconhecimento pela medida e proibir comentários sobre o desaparecimento. As informações são do portal G1.>
Na gravação, Cleber afirmou ter concedido o desconto como uma forma de benefício aos condôminos. "Eu isentei a taxa de condomínio que venceu no dia 10 de janeiro, referente a dezembro. Eu isentei os proprietários do pagamento dessa taxa, como um bônus, uma regalia, né, para começar o ano com essa taxa a menos a ter que pagar", disse.>
Segundo Fernanda Alves, irmã da vítima, a gravação foi feita no início de janeiro, período em que o desaparecimento de Daiane ainda não havia sido esclarecido. O síndico acabou preso no dia 28 do mesmo mês e confessou o crime. Na mesma mensagem, Cleber lamenta que sua iniciativa tenha provocado pouca reação no grupo, ao contrário das discussões relacionadas ao sumiço da corretora.>
Corretora estava desaparecida desde dezembro
"Eu considero que seja uma coisa positiva e não teve comentário. Agora coisas negativas muita gente se atenta, né? Fica atento para comentar, inclusive sem informações, tá?", declarou, fazendo referência ao caso.>
Ainda no áudio, ele pediu que os moradores evitassem comentários sobre o desaparecimento e informou que removeu um integrante do grupo após a publicação de conteúdo relacionado ao caso, o que, segundo ele, estava proibido. De acordo com Fernanda, o morador mencionado havia compartilhado uma reportagem sobre o desaparecimento.>
Antes de encerrar a gravação, o síndico também afirmou que não havia comprovação de que Daiane tivesse desaparecido no condomínio. "Não existe essa prova. Ninguém pode confirmar isso e já está praticamente atribuindo ao prédio uma responsabilidade que ele não tem", disse.>
Procurada, a defesa de Cleber informou, em nota, que aguarda a conclusão das investigações e que não irá comentar detalhes do caso até o encerramento do inquérito, acrescentando que o acusado segue colaborando com a polícia.>
Crime e investigação>
De acordo com as investigações, Daiane foi morta em 17 de dezembro, após sair de seu apartamento e ir até o subsolo do prédio, localizado no bairro Termal, para verificar uma queda frequente de energia em sua unidade. A última imagem dela foi registrada no elevador, por volta das 19h.>
Após a prisão e confissão, mais de 40 dias depois do crime, Cleber indicou aos policiais o local onde deixou o corpo, encontrado em uma área de mata em Ipameri, às margens da GO-213, cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas.>
Segundo a Polícia Civil, o caso envolve um histórico de desentendimentos e ações judiciais entre o síndico e a família da vítima, relacionados à administração de apartamentos pertencentes aos parentes de Daiane no condomínio.>
A declaração de óbito aponta que a corretora morreu em decorrência de disparo de arma de fogo na cabeça. O documento descreve: "Causa Mortis - Traumatismo Crânioencefálico causado por projéteis de arma de fogo".>
A Polícia Civil ainda investiga detalhes da dinâmica do crime, incluindo se o assassinato ocorreu dentro do prédio ou próximo à rodovia onde o corpo foi abandonado.>
Após mais de 40 dias de buscas, o corpo foi identificado por meio de DNA dentário e liberado pelo Instituto Médico-Legal de Goiânia no dia 3. O velório e o sepultamento ocorreram no Cemitério Parque dos Buritis, em Uberlândia (MG).>