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Bruno Wendel
Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 05:00
Em pouco mais de 15 dias, três policiais militares foram atacados pelo Comando Vermelho no Vale das Pedrinhas, reforçando o controle da facção no Complexo do Nordeste. No último dia 3, o cabo Glauber foi baleado e morreu. Em outro confronto, um PM saiu ferido e a viatura foi atingida. Nesta quinta (19), em outro tiroteio, um policial foi atingido na perna. >
Ao longo dos anos, o grupo estruturou uma rede de domínio territorial, transformando a região em fortaleza, mesmo com delegacia, duas bases comunitárias e um batalhão. O surgimento do Comando do Boqueirão em 2012 foi ignorado pela Segurança Pública, permitindo que a facção se fortalecesse e virasse o Comando da Paz. >
Ataque a policiais no Nordeste
Em 2020, o grupo foi absorvido pelo CV, segunda maior organização criminosa do país, evidenciando como a falta de reconhecimento formal compromete a alocação de recursos e políticas de segurança, além de facilitar o domínio da facção na área.>
Geografia
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A geografia ajuda a explicar parte dessa resistência. Ruas estreitas e becos dificultam operações policiais. Além disso, a topografia favorece pontos de observação e rotas de fuga. O domínio não se dá apenas pela força armada, mas também pela organização interna. A facção atua com divisão de funções e vigilância constante. >
Há ainda influência exercida a partir do sistema prisional, que contribui para a manutenção da hierarquia. Especialistas apontam que vulnerabilidades sociais históricas ampliam o poder de recrutamento local. Em áreas com menor presença efetiva do Estado, o grupo vem ampliando sua influência cotidiana. >
Comando Vermelho monitora região turística da Bahia>
Lentes espalhadas vigiam quem entra e sai e, principalmente, alertam sobre a presença de viaturas. Uma das regiões mais conhecidas de Camaçari — e da Bahia —, Arembepe é monitorada pelo Comando Vermelho (CV).>
Arembepe monitorada pelo CV
Segundo moradores ouvidos pela Coluna, as câmeras instaladas clandestinamente estão em localidades como Sangradouro, nas imediações do Projeto Tamar e no Loteamento Fonte das Águas, onde, em novembro do 2025, a Polícia Militar retirou vários desses equipamentos colocados em postes de iluminação pública.. “Às vezes, a polícia retira uma ou outra, mas depois eles substituem”, conta a fonte.>
Em junho do ano passado, a Delegacia de Homicídios de Camaçari realizou uma operação na Aldeia Hippie, onde traficantes transformavam o local turístico em ponto estratégico de apoio logístico. >