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Arrependida por não ter tido filhos? Mulher fala as consequências de não ter herdeiros para o resto da vida

Maria Coffey narra como a decisão de não ter filhos traz liberdade, mas também cobrança social e dúvidas que podem ressurgir na velhice

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Agência Correio

Publicado em 11 de janeiro de 2026 às 08:00

Após perdas e um acidente do marido, a autora encara a pergunta sobre apoio no futuro e repete: “A vida é um risco.”
Após perdas e um acidente do marido, a autora encara a pergunta sobre apoio no futuro e repete: “A vida é um risco.” Crédito: Reprodução/YT

Maria Coffey já passou do momento em que decidiu não ter filhos, mas diz que a escolha continua abrindo e fechando portas. Com o tempo, as consequências mudam de forma e aparecem em lugares que ela não esperava.

Isso é o fio condutor do livro Instead: Navigating the Adventures of a Childfree Life, lançado em 2023. A autora revisita a própria história e descreve como é envelhecer fora do roteiro mais comum.

SANTOS - Sobrenome vem do termo latino sanctus, que significa “sagrado” ou “santo”. Linhagem possivelmente teve origem na Sierra de los Santos, na região da Andaluzia, no sul da Espanha. Na Idade Média, o nome Santos também era atribuído a indivíduos nascidos em 1º de novembro, data comemorada como o Dia de Todos os Santos. por Imagem: New Africa | Shutterstock

O relato não entrega uma moral pronta. Ele mostra que decisões irreversíveis carregam risco, e que a curiosidade pelo caminho não vivido pode surgir mesmo quando a escolha foi feita com convicção.

O choque entre desejo pessoal e expectativa social

Coffey diz que muita gente aprende cedo que ter filhos seria uma obrigação natural. “Acho que muita gente cresce com a ideia de que ter filhos é o nosso destino biológico”, afirmou, em ligação da Catalunha.

Para ela, essa regra nunca encaixou. A diferença de desejo, segundo Coffey, pode virar cobrança em conversas simples, inclusive quando a pergunta parece apenas curiosidade.

Ao falar sobre a mãe, Coffey não suaviza o conflito. “Eu não queria a vida que minha mãe queria para mim, uma vida estabelecida, segura, com plano de aposentadoria e um emprego fixo. Eu sabia que queria um tipo de vida diferente.”

Ela diz que apostou em uma vida menos previsível. Ainda assim, reconhece que o mundo costuma recompensar quem segue o roteiro, e isso pode deixar quem escolhe diferente mais exposto a julgamento.

Nascida na Inglaterra, em uma família irlandesa católica da classe trabalhadora, Coffey se descreve inquieta. Olhando o passado, ela destaca episódios que mexeram com sua relação com segurança e futuro.

Ela quase se afogou e sentiu urgência de viver com intensidade. Mais tarde, perdeu o primeiro grande amor em um acidente de montanhismo, e isso reforçou a associação entre amor e perda.

Uma vida de viagens e a cobrança que vem em forma de pergunta

Na casa dos 30, Coffey foi para a costa oeste do Canadá, conheceu Dag Goering e os dois seguiram uma vida de viagens. Escrever, fotografar e trabalhar em diferentes lugares virou rotina.

Em comunidades remotas, ela sentiu o julgamento sem filtro. “Quando eu viajava muito para lugares remotos, foi quando me fizeram sentir meio estranha em comunidades onde a escolha de não ter filhos é completamente inconcebível.”

Com o tempo, a cobrança ganhou outra embalagem. “Depois... as perguntas eram: você teve filhos? Você tem netos? E vinha aquela enorme perplexidade.”

Durante uma viagem ao Vietnã, Coffey conheceu Bac, uma menina que vivia na rua, e tentou ajudá-la. Ali, ela diz que experimentou um tipo de amor inesperado, com peso real.

Ela descreve o impacto como ter sido pega de surpresa. Com o tempo, conclui que não ter tido um filho não impede perdas emocionais, porque vínculos fortes também nascem fora da parentalidade.

Coffey chama esse puxão de “counterfactual curiosity”. Para ela, é a curiosidade pelo que poderia ter sido, algo que pode aparecer em escolhas que mudam tudo, como carreira, cidade e relações.

O tema voltou com força quando Dag sofreu um acidente grave de bicicleta. Coffey diz que se pegou imaginando se teria sido conforto ter um filho com ele, e conta que o casal conversou muito.

A metáfora do foguete e a ideia de continuidade

Ela conta a pergunta e a resposta que ficou. “Eu disse ao Dag: ‘você acha que a velhice seria mais fácil e suportável se tivéssemos filhos?’ E ele disse: ‘acho que é como lançar um foguete para o futuro com um pedacinho de você preso nele’. De certo modo, você não morre de verdade”, diz Coffey.

Para ela, a imagem traduz desejo de continuidade. Ao mesmo tempo, não promete conforto automático, apenas ilumina a dúvida que pode aparecer na velhice.

O livro não oferece garantias, mas ajuda a organizar perguntas que costumam ficar soltas. Ele deixa claro que a decisão não se resume a “ter” ou “não ter”, e sim a como viver depois.

-Separe desejo de pressão social e familiar.

-Pense em rede de apoio como prática, não como certeza.

-Aceite que escolhas podem ser certas e ainda assim gerar dúvidas.

Quando perguntam hoje, Coffey responde sem romantizar nenhum lado. “Eu costumo dizer que, quando mulheres jovens me fazem hoje a pergunta do bebê, eu respondo que é tudo um risco. Não ter um filho é um risco, ter um filho é um risco. A vida é um risco.”

Ela reforça lembrando que a parentalidade também pode trazer dores profundas. “Eu conheço pessoas cujos filhos morreram, e isso é a pior coisa.” E completa: “Há tanto potencial de sofrimento”, diz Coffey.

Mesmo com perguntas abertas, Coffey fecha o relato com um conselho direto. “Você só precisa seguir o seu coração”, diz.

E finaliza: “O que quer que te puxe, vá na direção disso.”