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Eliana fez terapia sexual para estrear programa na Globo: 'Mais solta'

Especialista explica que tratamento vai além da sexualidade e pode ajudar na relação com o próprio corpo e na construção da identidade adulta

  • Foto do(a) author(a) Ana Beatriz Sousa
  • Ana Beatriz Sousa

Publicado em 9 de março de 2026 às 20:30

Eliana
Eliana Crédito: Daniela Toviansky/TV Globo

A decisão da apresentadora Eliana de iniciar terapia sexual ao entrar em uma nova fase da carreira trouxe à tona discussões sobre identidade feminina, imagem corporal e amadurecimento. Depois de mais de 20 anos à frente de um programa infantil, ela contou que percebeu ainda reproduzir gestos e comportamentos ligados à antiga etapa profissional.

A terapeuta sistêmica Adriana Ribeiro explica que esse tipo de situação é mais comum do que parece. Segundo ela, quando uma pessoa passa muito tempo sendo reconhecida por uma versão específica de si mesma, pode ocorrer uma espécie de fixação interna.

Eliana por Reprodução

"Quando uma mulher passa muitos anos sendo reconhecida por uma versão específica de si mesma, pode acontecer uma espécie de cristalização interna. O mundo muda, as funções evoluem, mas por dentro ela pode continuar identificada com aquela fase que trouxe pertencimento e aprovação", afirma.

De acordo com a especialista, esse processo pode impactar diretamente a vida profissional. Entre os efeitos mais frequentes estão dificuldade de assumir autoridade, receio de se posicionar de forma firme e medo de romper com a imagem que o público ou o ambiente de trabalho já conhece.

"Assumir uma nova versão de si mesma exige atravessar uma espécie de 'morte simbólica' daquela identidade anterior. Nem sempre é simples abandonar uma versão que foi bem-sucedida ou reconhecida", explica.

A terapeuta também destaca que o corpo pode manifestar bloqueios emocionais relacionados a essas mudanças. Rigidez corporal, controle excessivo da postura, respiração curta e dificuldade de sustentar o olhar ou se movimentar com naturalidade estão entre os sinais mais comuns.

Segundo Adriana Ribeiro, nesses casos a terapia sexual pode ajudar a reorganizar a relação da mulher com o próprio corpo e com sua identidade.

"A terapia sexual não trata apenas da sexualidade no sentido restrito. Ela trabalha identidade, presença e autoconceito", afirma.

O processo envolve compreender a história da pessoa com o próprio corpo, identificar mensagens recebidas sobre feminilidade ao longo da vida e ressignificar experiências emocionais que ainda influenciam comportamentos.

"Quando a mulher se reposiciona internamente e passa a integrar sua história com quem ela se tornou, o corpo deixa de ser um espaço de defesa e passa a ser um território seguro. A postura muda de forma natural", conclui a especialista.