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Ana Beatriz Sousa
Publicado em 9 de março de 2026 às 20:30
A decisão da apresentadora Eliana de iniciar terapia sexual ao entrar em uma nova fase da carreira trouxe à tona discussões sobre identidade feminina, imagem corporal e amadurecimento. Depois de mais de 20 anos à frente de um programa infantil, ela contou que percebeu ainda reproduzir gestos e comportamentos ligados à antiga etapa profissional.>
A terapeuta sistêmica Adriana Ribeiro explica que esse tipo de situação é mais comum do que parece. Segundo ela, quando uma pessoa passa muito tempo sendo reconhecida por uma versão específica de si mesma, pode ocorrer uma espécie de fixação interna.>
Eliana
"Quando uma mulher passa muitos anos sendo reconhecida por uma versão específica de si mesma, pode acontecer uma espécie de cristalização interna. O mundo muda, as funções evoluem, mas por dentro ela pode continuar identificada com aquela fase que trouxe pertencimento e aprovação", afirma.>
De acordo com a especialista, esse processo pode impactar diretamente a vida profissional. Entre os efeitos mais frequentes estão dificuldade de assumir autoridade, receio de se posicionar de forma firme e medo de romper com a imagem que o público ou o ambiente de trabalho já conhece.>
"Assumir uma nova versão de si mesma exige atravessar uma espécie de 'morte simbólica' daquela identidade anterior. Nem sempre é simples abandonar uma versão que foi bem-sucedida ou reconhecida", explica.>
A terapeuta também destaca que o corpo pode manifestar bloqueios emocionais relacionados a essas mudanças. Rigidez corporal, controle excessivo da postura, respiração curta e dificuldade de sustentar o olhar ou se movimentar com naturalidade estão entre os sinais mais comuns.>
Segundo Adriana Ribeiro, nesses casos a terapia sexual pode ajudar a reorganizar a relação da mulher com o próprio corpo e com sua identidade.>
"A terapia sexual não trata apenas da sexualidade no sentido restrito. Ela trabalha identidade, presença e autoconceito", afirma.>
O processo envolve compreender a história da pessoa com o próprio corpo, identificar mensagens recebidas sobre feminilidade ao longo da vida e ressignificar experiências emocionais que ainda influenciam comportamentos.>
"Quando a mulher se reposiciona internamente e passa a integrar sua história com quem ela se tornou, o corpo deixa de ser um espaço de defesa e passa a ser um território seguro. A postura muda de forma natural", conclui a especialista.>