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Agência Correio
Publicado em 9 de novembro de 2025 às 18:02
A frase popularmente atribuída a Sigmund Freud, “quando Pedro me fala de Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo”, resume uma verdade desconfortável: o ato de fofocar costuma expor traços profundos de quem está falando. Embora a autoria da citação seja debatida, o impacto emocional e social dessa ideia permanece atual. >
Presente em praticamente todas as culturas, a fofoca vai muito além de um simples passatempo. Ela revela inseguranças, necessidades sociais e mecanismos de defesa que usamos sem perceber.>
Atividade cerebral, cérebro, memória, pensamentos
Fofocar é um comportamento humano ancestral, ligado à necessidade de entender e se situar no grupo. Comentários sobre terceiros funcionavam, originalmente, como forma de avaliar quem era confiável, quem cooperava e quem representava risco. Com isso, manter-se informado sobre a vida alheia se tornava uma estratégia de sobrevivência.>
Com o tempo, esse instinto evoluiu para algo mais sutil: a troca de informações que mantém vínculos. Conversar sobre outras pessoas cria senso de pertencimento, reforça alianças e diminui a sensação de isolamento. Mesmo hoje, em ambientes profissionais, familiares ou digitais, a fofoca surge como elemento de conexão entre indivíduos.>
No entanto, essa prática também carrega um lado delicado. Quando utilizada de forma excessiva ou mal-intencionada, pode alimentar conflitos, desgastar relações e revelar fragilidades emocionais. A linha entre compartilhar algo relevante e apenas espalhar comentários pode ser muito tênue.>
Especialistas apontam que o conteúdo e o tom da fofoca dizem muito sobre as emoções e inseguranças de quem a pratica. Quando alguém critica constantemente a vida alheia, muitas vezes está projetando frustrações ou tentando aliviar tensões internas. O foco nos erros de terceiros funciona como distração para evitar olhar para as próprias falhas.>
Além disso, a fofoca pode ser usada como ferramenta de validação. Ao relatar aspectos negativos de outras pessoas, alguns indivíduos tentam reforçar uma sensação artificial de superioridade. É um mecanismo inconsciente de autoproteção que, na prática, enfraquece a autoestima a longo prazo.>
Há ainda quem recorra à fofoca como forma de buscar atenção ou aceitação. Contar “novidades” sobre os outros pode gerar sensação de poder momentânea, mas esse tipo de comportamento costuma desgastar vínculos e gerar desconfiança. Em ambientes saudáveis, transparência e empatia substituem esse padrão.>
Identificar o impulso de fofocar já é um primeiro passo importante. Perguntar a si mesmo por que determinado assunto gera vontade de comentar ajuda a revelar necessidades internas, como desejo de pertencimento, insegurança ou simples tédio. Esse movimento de autoconsciência reduz comportamentos automáticos.>
Outra estratégia é mudar o foco das conversas. Em vez de apontar falhas de terceiros, é possível direcionar a energia para assuntos construtivos, como interesses pessoais, notícias relevantes ou reflexões positivas. Esse tipo de postura melhora o clima social e reduz conflitos desnecessários.>
Por fim, praticar empatia transforma completamente o modo como percebemos a vida alheia. Quando entendemos que todos enfrentam desafios invisíveis, diminuímos julgamentos e fortalecemos vínculos mais reais. Assim, deixamos de repetir padrões prejudiciais e criamos relações mais seguras, inclusive com nós mesmos.>