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Fernanda Varela
Publicado em 10 de março de 2026 às 05:00
Um estudo publicado em fevereiro na revista científica Aging Cell indica que um exame de sangue pode ajudar a estimar a probabilidade de sobrevivência de pessoas idosas nos anos seguintes. A pesquisa foi liderada pela cientista Virginia Byers Kraus, da Duke University, nos Estados Unidos.>
Os pesquisadores analisaram pequenas moléculas chamadas piRNAs, um tipo de RNA não codificante presente no sangue. Essas moléculas participam de processos importantes no organismo e podem funcionar como biomarcadores ligados ao envelhecimento e ao estado geral de saúde.>
Sangue - o grupo sanguíneo e a longevidade dos centenários
Para chegar aos resultados, a equipe analisou mais de 1.200 amostras de sangue de pessoas com 71 anos ou mais. O estudo avaliou cerca de 828 moléculas de RNA e também levou em consideração mais de 180 fatores clínicos relacionados à saúde dos participantes.>
Segundo os cientistas, um pequeno conjunto formado por seis piRNAs foi capaz de prever a sobrevivência dos idosos pelos dois anos seguintes com até 86% de precisão. Em alguns casos, essas moléculas apresentaram desempenho semelhante ou até superior a indicadores tradicionais utilizados para avaliar riscos à saúde.>
Os pesquisadores também observaram que pessoas que viveram por mais tempo apresentavam níveis mais baixos de determinados piRNAs no sangue. A hipótese é que essas moléculas estejam associadas a processos biológicos ligados ao envelhecimento e à resposta do organismo a doenças.>
Apesar dos resultados considerados promissores, os autores ressaltam que o exame ainda não está disponível para uso clínico. A tecnologia ainda precisa passar por novas etapas de validação científica antes de ser aplicada em hospitais ou consultórios.>
Especialistas destacam que fatores como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e acompanhamento médico continuam sendo os principais elementos associados à longevidade. O exame, se confirmado por novos estudos, poderá se tornar uma ferramenta complementar para avaliar riscos de saúde e auxiliar no acompanhamento do envelhecimento.>