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Flavia Azevedo
Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 06:00
Se você é daqui, sabe que curtir o Carnaval não é apenas ir a uma festa. O nosso esporte preferido exige treino e um “código de conduta” que aprendemos desde o berço. Se você é de fora, se ligue porque circular nos circuitos abarrotados exige bem mais do que disposição. Para quem não se conforma com ficar na varandinha ou camarote, está aqui um manual que, muito além de lhe mandar “beber água”, é sobre tática de sobrevivência na folia. Antes de ler, já anote o básico: respeito ao próximo e a consciência de que estar na maior festa do mundo não é pouca coisa. Divirta-se muito, mas volte inteiro. A gente se vê no asfalto!>
O triângulo estratégico>
Antigamente, a gente marcava encontro “atrás do módulo de saúde”. Hoje, a tecnologia é sua aliada.>
Visita técnica: Antes da festa, entenda onde estão os portais de acesso com revista. Neste ano, o sistema de Reconhecimento Facial da Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) está operando em 100% dos portais, o que torna os circuitos mais seguros, mas pode gerar filas nos horários de pico (entre 16h e 19h). Sendo assim, se você for procurado pela justiça, já se prepare para ser detido. Caso sua ficha esteja limpa, se informe sobre o que pode ou não passar pelo portal e vá com paciência. >
O pulo do gato tecnológico: Salve agora o WhatsApp da Prefeitura (71 98791-3420). Pelo menu “Carnaval Salvador”, acesse a ferramenta “De Olho no Trio”. Graças a sensores e IA, você sabe exatamente onde sua atração está, evitando ficar horas plantado no lugar errado ou correndo atrás de trio em vão.>
Pontos de encontro: Se não quer se perder dos amigos, combine um ponto fixo, mas vá renovando conforme avança no circuito. O sinal de celular pode oscilar, mas a prefeitura agora oferece o Conecta Salvador, Wi-Fi gratuito. >
A armadura>
A “escola” da qual faço parte prega que no Carnaval de Salvador, menos é mais e segurança é tudo.>
O uniforme: Se for mesmo pra encarar a multidão, evite brincos grandes, colares pesados ou qualquer coisa que possa “enganchar” no vizinho. Sou míope e aviso que a melhor coisa é ir de lentes de contato. >
Cabelos e pés: Cabelo longo? Leve uma borrachinha. Quando a densidade populacional subir, prenda. Nos pés, a regra é clara: tênis velhos. Nada de marca cara e, por favor, nada de sandálias. Tenha dois pares para revezar; a dor no pé muda de lugar e você ganha sobrevida para o dia seguinte. Evite também os tênis de mola muito altos porque o risco de torcer o tornozelo no desnível do asfalto é real.>
Psicologia da pipoca>
O astral, as companhias, a música... escolhas certas mudam tudo.>
Vigie seu humor: Só saia se estiver com o espírito leve. No Carnaval, você vai encontrar todo tipo de gente. Se alguém empurrar, finge demência, sorri e sai de fininho. Brigas se evitam com “não aceitar provocações”.>
Dança da multidão: Se o aperto ficar insuportável, não lute contra. A multidão tem fluxo e ritmo. Mantenha-se em pé, solte o corpo e deixe o movimento te levar até uma área mais calma.>
Escolha sua tribo: Cada artista arrasta um público diferente. Saiba quem está no trio; estar em um ambiente onde você se sente confortável aumenta sua segurança e suas chances de “matches”.>
Gestão de ativos>
Dificilmente você sofrerá um assalto à mão armada no fluxo, mas os “batedores” são muito competentes nos furtos.>
Engenharia financeira: Use uma doleira por dentro do short com o essencial (um cartão, celular e cópia do documento). Configure seu celular para exigir biometria ou senha para desligar o aparelho e desative o pagamento por aproximação do cartão antes de sair.>
A “bolsa do ladrão”: Por fora, use uma pochete ou bolsinha com pouco dinheiro e objetos de baixo valor, para acesso rápido. Se levarem, continua tudo certo na Bahia.>
O segredo: Guarde uma nota de valor mais alto e a chave de casa dentro do tênis. Se você perder tudo ou o celular for levado, o dinheiro do táxi e a entrada em casa estão garantidos.>
Celular: Se tiver um bem velhinho, prefira esse pra levar. De todo modo, evite tirar fotos ou trocar mensagens no meio da muvuca. Se precisar usar, entre em um bar ou procure um posto de saúde/polícia.>
O enigma do deslocamento>
Ir é fácil, voltar é arte.>
Ônibus e metrô: Informe-se sobre as linhas especiais. O metrô é, geralmente, a via mais segura e funcionará em esquema 24h a partir da abertura oficial nesta quinta-feira (12/02).>
Aplicativos e táxis: Eles amam levar, mas odeiam trazer folião suado ou com latinha na mão. Se for de aplicativo, prepare-se para cancelamentos. Acho sempre melhor usar os pontos de táxi oficiais sinalizados pela prefeitura onde o preço é tabelado e a fiscalização é rigorosa. Outra opção são os mototaxistas, mas aí é “com emoção”.>
Vias de acesso: O perigo muitas vezes não está no circuito, mas nas ruas desertas que levam a ele. Ande sempre em grupo e vigie movimentações estranhas.>
Dignidade e saúde>
Fazer xixi pode ser complicado, mas é tão necessário quanto saber a diferença entre paquera e assédio.>
O drama do xixi: Banheiros químicos existem, mas se a situação estiver crítica, use os de bares e restaurantes (consuma algo para garantir o acesso). É o momento de lavar o rosto, retocar o batom e recobrar a dignidade.>
Respeito e proteção: Assédio é crime e há postos especializados para denúncia em todo o percurso. Lembre-se: “Não é Não”. Se presenciar algo, denuncie nos postos da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) localizados nos circuitos. Use camisinha e esteja com a vacinação em dia.>
Sagrado descanso: Não tente ser um super-herói. Escolha um dia para ficar em casa. Coma algo saudável, durma bastante e beba muita água. Esse “pit stop” é o que vai garantir que você chegue na Terça-Feira de Carnaval com fôlego de iniciante.>
Foliões arrastam o Fuzuê no Circuito Orlando Tapajós, no sentido Ondina–Barra
Comida e bebida>
Nem com fome nem alimentado demais e beber água é fundamental.>
Forre a barriga: O clássico prato de feijoada seguido de uma soneca antes de sair de casa é o segredo da longevidade do folião.>
Petiscos de bolso: Castanhas e amendoins são seus melhores amigos para manter a energia sem precisar parar. Se for encarar comida de rua, as Baianas de Acarajé são opções mais seguras (e deliciosas), pois ficam um pouco mais afastadas da agitação por causa do azeite quente.>
Hidratação estratégica: Este ano, procure pelas Ilhas de Hidratação espalhadas pela Barra e Campo Grande para água gratuita. Leve seu copo térmico ou garrafa de plástico (vidro é proibido e será retido nos portais). Em todos os momentos, mantenha o controle do que está bebendo e evite o risco de “Boa Noite Cinderela”.>
Carnaval 2026: confira atrações confirmadas pelo Governo no circuito Osmar, no Campo Grande
Por @flaviaazevedoalmeida>
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