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Alan Pinheiro
Publicado em 12 de dezembro de 2025 às 06:00
À medida que o fim do ano se aproxima, cresce a pressão por “compensar” excessos na alimentação antes mesmo que eles aconteçam. No Google, buscas como “queimar calorias rápido” e “treino pós-ceia” chegam a subir 50% no mês de dezembro, impulsionadas pelo medo de desandar na rotina fitness durante as festas de fim de ano. A lógica do “treino compensatório”, porém, não encontra respaldo científico. >
O treinador Lucas Florêncio, da Smart Fit, afirma que não há como zerar o saldo energético de um dia de exageros apenas com exercício e que forçar o corpo no curto prazo tende a gerar sobrecarga, não resultados. Segundo ele, o aumento brusco no volume ou na intensidade dos treinos em dezembro eleva significativamente o risco de lesões como tendinites e fraturas por estresse.>
Musculação e atividade física
Também há impactos hormonais na estratégia. De acordo com Florêncio, o excesso de estímulo sem recuperação adequada eleva cronicamente o cortisol (hormônio associado ao estresse, à inflamação e ao aumento do apetite) e pode até levar à perda de massa muscular. A combinação de picos de cortisol, fadiga e piora do sono, comum durante as festas, cria o cenário oposto ao desejado: queda de performance, mais apetite e menor capacidade de regular o próprio corpo.>
Noites mal dormidas também aumentam a fome, diminuem a saciedade e prejudicam o tempo de reação do corpo, ampliando o risco de acidentes e queda de performance. Já o álcool compromete a síntese proteica, desidrata e interfere diretamente na função muscular. “Ele prejudica a recuperação e a qualidade do sono, o que afeta o treino no dia seguinte”, explica o treinador.>
Veja as regras para treinar de graça na Smart Fit
A orientação de profissionais da área da educação física é abandonar a lógica da compensação e apostar na constância. “O ideal é treinar com qualidade, preservar a intensidade da força e evitar aumentos súbitos de volume”, diz. Em alguns casos, uma leve redução de séries ou exercícios acessórios pode favorecer a recuperação e garantir desempenho estável ao longo do mês.>
Sessões curtas de HIIT, treino intervalado de alta intensidade, caracterizado por picos curtos de esforço máximo intercalados com pausas breves, podem ser incluídas, desde que a pessoa já seja adaptada, mas a recomendação geral é priorizar o movimento cotidiano. Caminhadas, escadas e pausas ativas têm impacto significativo no gasto energético sem aumentar o risco de lesão.>
A abordagem sugerida para atravessar o período sem culpa e sem prejuízos é mais simples do que parece. A nutricionista da Smart Fit Amanda Liberalesso reforça que dietas restritivas antes das festas e protocolos “detox” depois não funcionam. Restringir demais faz o organismo entrar em modo de economia de energia, o que aumenta o risco de compulsão e reforça o ciclo de culpa e punição. Em vez disso, ela recomenda refeições estruturadas, priorização de proteína, hidratação e manutenção da rotina alimentar ao longo de dezembro.>
Antes das ceias, pequenas estratégias ajudam a evitar exageros. Alimentos que combinam proteína, fibra e água, como iogurte com fruta, ovos com legumes ou um lanche com frango e salada, reduzem a chance de chegar na ceia com fome extrema e perder o controle. No dia seguinte, a melhor orientação é voltar à normalidade: hidratar, equilibrar as refeições e evitar jejuns punitivos.>
Veja opções de treino
No treino, a lógica é parecida. Após uma noite de excessos, Florêncio recomenda descanso relativo e retorno gradual. “Não é produtivo tentar compensar no dia seguinte. A recuperação deve ser a primeira prioridade”, afirma. >
No fim das contas, especialistas são unânimes: a saída mais eficaz para o mês de dezembro é substituir a culpa por autocuidado. Com ajustes moderados, priorização dos pilares de recuperação — sono, hidratação e força — e uma rotina que faça sentido no longo prazo, é possível aproveitar as festas sem medo e sem recorrer a medidas extremas.>