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Casos de esporotricose disparam em humanos na Bahia; saiba o que é e como proteger seu pet

Os gatos são as principais vítimas da infecção, mas não são os únicos a contraírem a doença

  • Foto do(a) author(a) Alan Pinheiro
  • Alan Pinheiro

Publicado em 31 de março de 2026 às 05:00

Gatos não são os culpados, mas sim as principais vítimas da esporotricose
Gatos não são os culpados, mas sim as principais vítimas da esporotricose Crédito: Tânia Rêgo/ Agência Brasil

Brincar com os pets é um dos momentos de prazer para quem é mãe ou pai de um bichinho, mas a diversão precisa ter atenção, principalmente para os felinos que tiverem sintomas da esporotricose. A condição nos humanos integra a lista de doenças de notificação compulsória em todo o território nacional desde março de 2025 e segue em alta na Bahia.

A mudança, instituída pela Portaria GM/MS Nº 6.734, exige que todas as unidades de saúde, sejam elas públicas ou privadas, registrem casos suspeitos e confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Na Bahia, a obrigatoriedade de notificação se somou a um esforço local que já estava em curso. Pressionada por um volume expressivo de casos em Salvador e cidades vizinhas, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) já estruturava ações focadas no diagnóstico precoce e no tratamento de animais antes mesmo da portaria federal.

O abissínio é um gato ativo e se dá bem com cães enérgicos (Imagem: ZCOOL HelloRF | Shutterstock) por Imagem: ZCOOL HelloRF | Shutterstock

A esporotricose é uma micose provocada por um fungo do gênero Sporothrix. A doença causa lesões cutâneas que, no início, podem se manifestar como pequenos nódulos (caroços), mas que frequentemente evoluem para úlceras abertas e com secreção. Essas feridas não cicatrizam com facilidade e têm uma tendência a se espalhar pelo corpo do paciente.

Os gatos são as principais vítimas da infecção e, simultaneamente, os seus potenciais transmissores, mas não são os únicos a contraírem a doença. A médica veterinária Paloma Santana explica que a disputa de território, os conflitos com outros gatos e o comportamento específico explicam a maior incidência nesses animais.

O tratamento é feito à base de medicamentos antifúngicos e dura, no mínimo, três meses. Quanto mais o paciente demorar para iniciar a recuperação, maior o prazo para recuperação. “Tanto em seres humanos quanto em animais, a demora no início desse tratamento pode diminuir a chance de cura. Ela começa com uma lesão, mas pode se disseminar e acometer órgãos internos, como o pulmão”, explica.

Em relação à prevenção, a melhor forma é controlar o acesso dos animais à rua. “Sabemos que animais errantes, sem tutor, têm uma chance muito grande de pegar doenças. Quando um gato vai para diversos lugares que o tutor não sabe, tem uma chance muito grande de encontrar um animal doente. E, na briga pelo território, por comida, acaba se infectando e depois, na volta para casa, transmite a outros bichos e para seus tutores”, complementa Paloma.

Associação Brasileira Protetora dos Animais – seção Bahia Instagram: @abpabahia por Reprodução / ABPA

Perfil geográfico

Os dados do Sinan/Sesab referentes de 2021 até agora desenham um padrão. A Bahia viveu uma crescente no número de contágios, saltando de 269 casos em 2021 para um pico de 996 casos em 2024, o que representa um aumento de quase 370%. Embora 2025 tenha mostrado uma leve estabilização, com 951 casos, o patamar segue sendo considerado alto. Até março deste ano, são 98 casos.

No estado, o paciente típico diagnosticado com esporotricose possui um perfil demográfico muito bem definido. A doença atinge majoritariamente as mulheres, com uma média de 64% dos casos entre 2021 e 2026. Em 2024, por exemplo, foram 650 infecções em mulheres contra 346 em homens.

Ao contrário de muitas doenças, a esporotricose baiana não é comum na infância, concentrando-se no público adulto em idade produtiva e doméstica, com a faixa de 40 a 49 anos sendo a mais afetada (19% dos casos), seguida pelo grupo de 50 a 59 anos (17%).

Para a médica veterinária Stéfany Figueirêdo, o perfil está relacionado diretamente a quem costuma cuidar dos animais. "Frequentemente, as mulheres com idade entre 30 e 59 anos são as principais responsáveis pelos cuidados da casa ou cuidadoras de pets que têm contato direto com gatos doentes e/ou solo/matéria orgânica", diz.

Esse foi o caso da servidora pública Taísa Teixeira, 46. Em 2023, um de seus gatos foi diagnosticado com a doença e os cuidados começaram, mas uma desatenção dificultou a recuperação: “Lembro que coloquei luva para tratar minha gata, mas esqueci das pernas. Com a dor, ela cravou a unha na minha perna. Em um primeiro momento, só ficou a ferida, mas depois começou a crescer, ficar em carne viva e a não sarar”. A gata morreu pouco tempo depois, mas a servidora só conseguiu se curar depois de alguns meses.

Além disso, há uma forte predominância na população negra. Pessoas que se autodeclaram pardas formam o maior grupo (cerca de 50%), e as que se declaram pretas somam 20%, indicando que mais de 70% dos infectados com esporotricose são negros.

Geograficamente, a esporotricose no estado se caracteriza como um agravo urbano e metropolitano, embora uma interiorização da doença venha acendendo alertas. Salvador segue como o epicentro da infecção, embora a proporção de casos na capital em relação ao estado tenha caído de 59,1% em 2021 para 44,9% em 2025, o que indica que a doença cresceu mais rapidamente em outras regiões.

Municípios da Região Metropolitana, como Camaçari — que teve um salto explosivo de sete casos em 2021 para 152 em 2024 —, Lauro de Freitas e Dias d'Ávila, concentram altos índices de notificação. Mais preocupante, no entanto, é o avanço pelo interior. Feira de Santana não registrava nenhum caso em 2021, mas atingiu a marca de 127 registros em 2025, tornando-se responsável por 13,3% dos casos baianos naquele ano.

Outros detalhe

A médica veterinária Stéfany Figueirêdo também destaca outros cuidados que o tutor precisa ter para prevenção e tratamento da doença. A profissional relembra que é preciso ter atenção à saúde dos pets, mantendo sempre o acompanhamento veterinário em dia, especialmente para os felinos.

  • Caso o gato esteja realizando tratamento, é importante que ele fique em um ambiente isolado de outros animais para evitar o contágio. Outra estratégia fundamental é colocar telas de proteção nas janelas para evitar a ida para a rua;
  • Não tocar em gatos doentes sem luvas de proteção. Utilizar luvas descartáveis e avental ao tratar animais doentes. Uma vez que o felino pode transmitir o fungo por arranhadura, mordedura, secreções e espirros (se houver lesões também nas narinas), é importante estar protegido;
  • Higienizar as mãos com água e sabão após o contato com os felinos e evitar o contato direto (sem proteção) com animais de rua, especialmente aqueles que apresentem lesões suspeitas;
  • Como algumas espécies de fungos também podem estar em solo e plantas, o ideal é usar luvas, roupas e calçados adequados ao trabalhar no jardim, para evitar contato com o solo ou plantas que possam estar infectadas;
  • A castração dos bichanos reduz o interesse deles por sair de casa, minimizando o risco de se envolverem em brigas e lutar por territórios, o que ajuda a impedir a possível disseminação do fungo (por reduzir a possibilidade de lesões por arranhaduras, por exemplo);
  • Caso o pet venha à óbito por complicações causadas pela esporotricose, é recomendado cremá-lo, em vez de enterrá-lo, pois o fungo sobrevive na natureza.